A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 18/04/2020

Na fase indianista do romantismo no Brasil, o índio foi o símbolo marcante para a construção da nossa nacionalidade. O ideal romântico do índio nessa fase, acarretou uma visão errônea de sua cultura e necessidades, causando danos não reparados até hoje. Alguns estigmas sobre a figura indígena,advindos da colonização,corroboram para uma crescente desvalorização destes, colocando-os à margem da sociedade. Desse modo, a falta de um estudo profundo sobre a importância desses povos, tanto no âmbito social como no cultural, e a garantia dos seus direitos previstos em lei, colaboram com a problemática.

Em primeiro lugar, o europeu ao chegar ao território brasileiro subjugou a cultura existente, assim, iniciou um processos de aculturação, afirmado por argumentos etnocêntricos que são bastantes presente no cotidiano. A visão do brasileiro do século XXI não se difere da europeia do século XVI sobre esse povo, pois ainda existe uma visão etnocêntrica e preconceituosa vindo da maioria da população. A falta de efetividade no estudo a respeito dessa cultura fortalece a exclusão da população indígena da nossa sociedade, pois a dificuldade de “enxergar” a grande influência em nossa culinária e costumes destes. Desse modo, ratificam a depreciação e a forte segregação e marginalização sofrida por eles, prejudica a inserção social e o cumprimento dos seus direitos.

Ademais, apesar de a carta magna ter definido que até 1993 o governo brasileiro deveria demarcar todas as terras indígenas, de acordo com o critério de ocupação tradicional das terras, a determinação está longe de ser cumprida. Agora, além de sofrer com a lentidão na efetivação de seus direitos, os povos indígenas são alvo dos sistemáticos e violentos ataques arquitetados pela bancada ruralista. Com a votação do novo Código Florestal, parlamentares dessa bancada — diretamente ligada aos interesses de latifundiários e agronegócio — aprovam projetos de lei que visam extinguir direitos já adquiridos, modificar (dificultar) o processo de reconhecimento das terras indígenas e criar possibilidades para a exploração dessas áreas por não-indígenas.Assim, a luta por esses lugares leva a altos números de genocídios, os quais ocorreram um aumento de 130% no ano de 2014.

Fica evidente, portanto, que a cultura e o território indígena deve ser preservados e destacados, a fim de prolongar sua existência. Com o objetivo de modificar essa realidade, a curto prazo, o governo junto com o Ministério da Educação deve colocar no currículo escolar, o estudo da história indígena e manter os sistemas de cotas em universidades.A longo prazo, é de suma importância a revisão desses projetos de lei e da própria bancada ruralista e também o engajamento político da sociedade para com a Funai e Comissão da Pastoral da Terra, afim de afirmar e garantir a posse da terra para essa população. Dessamaneira, o despir do português pelo índio, no poema de Oswald de Andrade, afirmar o quanto podemos aprender com a inserção dos índios em nosso convívio social.