A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 24/04/2020

Desde o redescobrimento do Brasil, os indígenas são retratados em escritos, sejam eles documentos objetivos ou obras literárias. A exemplo disso pode-se citar a Carta de Caminha, Iracema e Macunaíma, que marcaram a literatura brasileira. Contudo, mesmo que a cultura dos nativos seja exposta e conservada em livros, há uma desvalorização dessas comunidades desde a colonização, já que essas tiveram suas terras apossadas e seu povo dizimado, o que contribuiu para o esquecimento de várias tradições indígenas. Sobre isso, nota-se que esse descaso permanece atualmente, no contexto do preconceito cultural e dos desmedidos avanços do agronegócio.

A princípio, vê-se que importância da cultura indígena para a formação do povo brasileiro é indubitável. Os costumes dos nativos foram repassados aos portugueses, os quais compartilharam com as próximas gerações, até haver a consolidação de tradições indígenas como nacionais. Com isso, técnicas de cultivo, comidas típicas e vocábulos do tupi-guarani foram adicionados ao patrimônio cultural brasileiro. Todavia, mesmo com o sincretismo cultural, há um preconceito e desrespeito de parte da população em relação aos índios, os quais necessitam de medidas de inclusão, como as cotas, para superar a iniquidade histórica.

Outrossim, desde 1500, os indígenas são prejudicados pelos “dominadores”, que os submeteram ao escravismo, impuseram o catolicismo e dizimaram os opositores a suas exigências. Hoje, os avanços do agronegócio são os inimigos das tribos, pois excedem as terras de comunidades indígenas e desmatam o território, o que interfere negativamente na manutenção dos nativos, que dependem dos recursos naturais. Mesmo que o direito dos nativos sobre essas áreas seja assegurado pela Constituição vigente, com a falta de fiscalização, a preservação da cultura indígena não é efetiva.

Destarte, são necessárias medidas que garantam a manutenção e respeito da cultura indígena. Primeiramente, o governo, em conjunto com ONGs, deve investir na fiscalização dos limites dos territórios já demarcados, de modo a evitar qualquer invasão, o que evitará interferências no modo de vida dos nativos e garantirá a conservação cultural. Ademais, as escolas e universidades devem propor palestras sobre a importância histórica das comunidades autóctones para a formação da população brasileira, com o fito de desconstruir o preconceito consolidado.