A questão indígena no Brasil contemporâneo
Enviada em 27/04/2020
Na canção “Cachimbo da Paz”, Gabriel “O Pensador”, ao criar um cenário ficcional, porém, consoante ao brasileiro atual, oferece uma leitura acerca do esteriótipo que pousa sob os povos indígenas no país, associando drogas e até mesmo tráfico à imagem do “índio”. Tal música põe em voga a principal problemática que, no Brasil contemporâneo, circunscreve a questão indígena: o tortuoso estigma social inerente a esses povos. Dessarte, é fulcral apontar a aversão introspectiva dos demais cidadãos como a ímpar causa dessa conjuntura, a qual incita uma segregação cultural no país.
De início, afirma-se que a avareza autoanalítica é o panorama que outorga aos indivíduos um preconceito diante dos povos indígenas. Para depreender isso, vale evocar o sociólogo alemão Wolf Lepenies e a sua teoria, de 2019, “Avareza Cognitiva”. Nela, Wolf preconiza que as pessoas, hoje, encontram-se em bolhas socioculturais, pois evitam o raciocínio crítico perante o que diverge dos seus próprios preceitos, o que, cada vez mais, emplaca antolhos sociais nelas. Sob esse prisma ubíquo, infere-se que tais antolhos, nos cidadãos brasileiros, reforçam o preconceito anexo à figura dos nativos, afinal, eles impedem que os indivíduos se libertem de suas bolhas e pensem, com teor protocooperativo, sobre diferentes culturas.
Por conseguinte, enquanto esse quadro perdura, percebe-se que o distanciamento social dos indígenas revela uma eminente segregação cultural próxima às reflexões de Sílvio Almeida. Segundo ele, em seu livro “Racismo Estrutural”, a sociedade brasileira consolida, ao longo de décadas, a naturalização de empecilhos no arcabouço social a respeito, sobretudo, de pobres e negros, de modo a marginalizá-los e a reivindicar suas patentes cidadã. De maneira análoga, o mesmo se repete no tocante aos indígenas, porém, condizente com a causa social dos antolhos, esse movimento de segregação interfere na esfera cultural, atenuando e ofuscando as riquezas intangíveis culturais do Brasil.
Portanto, visto a intempestividade da problemática, entende-se que é necessário mudar esse panorama para restaurar a posição de cidadão pertencente aos nativos. Para tanto, é dever do Ministério da Cidadania, enquanto instância deliberativa máxima sobre diretrizes sociais, criar um programa governamental que leve tanto a cultura quanto a imagem indígena ao cotidiano brasileiro, por meio de políticas públicas e de apoio midiático, por exemplo, ao transmitir, nos meios de comunicação em massa, conteúdos que reforcem a benevolência em face dos nativos, a fim de dissolver os problemas sociais da questão indígena contemporânea. Destarte, entender-se-ia a letra de Gabriel “O Pensador” como apenas um passado nefasto e embaraçoso para o Brasil.