A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 11/05/2020

É gravíssima a questão indígena no Brasil contemporâneo. Após 400 anos de genocídio proposital, cometido pelo colonizador português, por recusa dos povos primitivos em serem escravizados, foram mais 120 anos de continuado extermínio, mais ou menos deliberado / dissimulado, cometido pelos governos que se sucederam no Brasil.

Durante o regime militar, 1964-1985, essa foi uma ação de estado, o genocídio indígena, agravado hoje, ao extremo, quando vemos a população indígena ser propositalmente exposta à pandemia do coronavírus, sem qualquer assistência médica ou sócio-econômica, como indesejados párias sociais largados à própria sorte.

É da maior importância a preservação desses povos, com sua cultura e seu conhecimento das ciências da natureza, das plantas, de recursos para a saúde humana.

São povos que resistem há mais de 13.500 anos a toda sorte de sobrevivência, mas que hoje estão mais vulneráveis do que nunca pelos meios de destruição que os povos brancos detêm, em armas e perigosas doenças.

Em 1500, na chegada do colonizador português ao Brasil, a população local era de 5 milhões de índios. A atual população indígena brasileira, segundo dados do Censo Demográfico do IBGE 2010, é de 896.900, com 305 etnias, sendo maior a Tikuna, com 6,8% desse total.

Ou seja, mais do que a população original não crescer em 510 anos, foi reduzida em 4.100.000 indivíduos. Como explicar isso senão com genocídios propositais, cometidos por fazendeiros, garimpeiros, madeireiros, com a conivência silenciosa ou estímulo de governos estaduais e federal. No Maranhão, por exemplo, governado por ex-juiz, nada foi feito para impedir o assassinato de quatro caciques guajajaras em um mês e meio, entre novembro e dezembro de 2019. O governador só lamentou as mortes. Isso não é decente, nem humano. Por que isso? Até quando vamos presenciar essas covardias contra povos de nossa matriz étnica?