A questão indígena no Brasil contemporâneo
Enviada em 13/05/2020
Com a chegada dos navegantes europeus à America e, posteriormente, a colonização de parte desse continente pelos ibéricos, muitos indígenas, bem como os brasileiros, vivenciaram um período de extrema mudança no modo de se organizarem e em seus costumes. Estes colonizadores aproveitaram-se das suas superioridades bélicas e da inocência dos nativos para explorá-los e catequizá-los, fazendo com que os índios sofressem o processo sociológico de aculturação. Atualmente, no Brasil, apesar de os aborígenes terem conseguido o direito a terra e à livre expressão das suas culturas, o desrespeito às prerrogativas desse grupo é, ainda, muito presente. Assim, sendo essas garantias asseguradas pela Constituição do país, a omissão do governo federal, diante dessa questão, torna-se imprópria.
Nesse contexto, o desconhecimento acerca da importância dos indígenas na construção da história e dos costumes brasileiros se destaca como uma das causas do desrespeito aos direitos dos índios na nação atual. Essa ignorância se deve, em geral, ao fato de os nativos serem, historicamente, vistos como preguiçosos e primitivos, logo sem bases necessárias ao desenvolvimento cultural da pátria. Segundo o sociólogo Bordieu, o “habitus” é um conjunto de saberes distribuídos na sociedade, que, na maioria das vezes, é internalizado pelos indivíduos. Dessa forma, com o partilhamento e a interiorização do esteriótipo dos aborígenes na comunidade brasileira, o conhecimento verdadeiro sobre esses povos é prejudicado. Ademais, o interesse de alguns grupos ruralistas na expansão da fronteira agrícola, que frenquentemente coincide com os limites das terras indígenas, auxilia no descumprimento das garantias desse grupo autóctone. Posto que, muitos agricultores e pecuaristas vêem esses territórios como barreiras à exploração dos recursos naturais e à obtenção de lucro.
Em consequência dessa falta de respeito, vários indígenas, além de terem suas terras invadidas, geralmente por agropecuaristas, são, em muitos casos, mortos por alguns deles, em razão de resistirem à tomada de seu território. Conforme o portal de notícias “g1”, o número de assassinatos de aborígenes cresceu 20% no Brasil, em 2018. Destarte, percebe-se o quanto o desprezo e o desconhecimento sobre o valor dos nativos na história do país representam uma ameaça ao direito da terra, da segurança e da manutenção da cultura dos índios . Além disso, o abandono à memória desse povo, potencializa o processo da aculturação (perda de cultura) e implica danos à identidade da pátria.
Portanto, visando a garantia dos direitos dos indígenas, cabe às escolas mostrar, por meio de palestras com antropólogos e historiadores, as contribuições dos índios à formação cultural do país, especificando aos discentes a importância de se respeitar esse povo. Quanto ao governo, compete a fiscalizações eficiente nas fronteiras agrícolas, assegurando, sobretudo, a vida dos aborígenes.