A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 01/06/2020

A primeira geração do Romantismo, considerada “Nacionalista”, exaltava o índio como um herói nacional, com o intuito de reforçar os ideais de independência perante Portugal. No entanto, hoje, percebe-se que no Brasil, essa valorização ficou apenas nas páginas dos folhetins. Visto que, os povos indígenas têm sofrido desrespeito, ora cultural, ora territorial.

Primeiramente, é preciso destacar de que forma os costumes indígenas são negligenciados. Nesse sentido, desde a “descoberta” do novo mundo, os povos nativos foram considerados descivilizados. Pensamento esse, que propiciou o processo de catequização, por meio das missões. Decerto, essa visão, “Eurocêntrica”, continua presente nos dias atuais, uma vez que nas salas de aula, a história das tribos brasileiras não é a abordada, ademais, no dia índio são apresentados apenas aspectos folclóricos. Decerto, criando uma visão minimalista da participação desses povos na formação da identidade nacional.

Somado a isso, o direito a terra, garantido pela Constituição de 1988, vem sendo negado a essa parcela da população. Nesse contexto, a falta de representatividade política, retarda o processo de demarcação de reservas e dificulta a proteção de fronteiras. Em adição, o Brasil conta com uma bancada ruralista muito forte, que constantemente toma decisões mais permissivas perante o meio ambiente, beneficiando latifundiários em detrimento de interesses dos nativos. Prova disso, é o resultado do embate entre agricultores e a tribo Guarani Kaiowa, que foi expulsa de sua habitação no Mato Grosso do Sul.

Fica evidente, portanto, que medidas precisam ser tomadas a fim de garantir os direitos e o respeito perante esses povos. Nesse espectro, a Polícia Militar Ambiental e a Escola têm papel fundamental, essa pode ampliar o contato com a cultura indígena, por meio da criação de um mês do índio, no qual, representantes de tribos locais serão convidados, pelas escolas, para palestrar e dialogar com os discentes, possibilitando, no longo prazo, uma mudança nesse quadro de desrespeito cultural, aquela deve, em parceria com a FUNAI, fiscalizar as fronteiras, promovendo a preservação das reservas indígenas. Dessa forma, a valorização do índio não ficará apenas no papel.