A questão indígena no Brasil contemporâneo
Enviada em 16/06/2020
O livro ‘‘Macunaíma" de Mário de Andrade relata uma visão preconceituosa e deturpada do índio, posto que a personagem principal é abordada como sendo sem caráter. Apesar de ficção, essa obra se insere no contexto hodierno, uma vez que a população indígena vem sendo violentamente apagada. Nessa égide, tais fatores se desencadeiam, seja pelo avanço do agronegócio, seja pela negligência do Governo em introduzir políticas para essa parcela da sociedade. Por esses motivos, subterfúgios devem ser encontrados para transpor essa infeliz realidade.
Torna-se imprescindível analisar, precipuamente, que os povos indígenas contribuíram para a formação de uma identidade cultural heterogênea, perpassando seus costumes e tradições para os demais. Contudo, muitos nativos brasileiros estão tendo seus direitos vetados, pois, com o avanço do agronegócio, são expropriados de suas terras e, por vezes, assassinados, culminando em um genocídio. Nesse diapasão, as terras que seriam responsáveis pelo bem-estar desses indivíduos são tiradas à força e entregue na mão da elite agrária. Nesse contexto, a música ‘‘Que país é esse’’ em seu trecho ’’ mas o brasil vai ficar rico, vamos faturar um milhão quando vendermos as almas dos nossos índios em um leilão’’ metaforiza a situação precária da vida indígena. Nesse cenário, enquanto não houver uma mudança, o país nunca atingirá o progresso.
Faz-se mister ressaltar, ainda, que a ação governamental de criação de políticas que sirvam para proteger os direitos dos indígenas é exígua. Nesse âmbito, apesar de a nação brasileira ser regida por um Carta Magna,os direitos por ela fornecidos acabam perdendo a aplicabilidade quando se trata dos índios. Destarte,o Governo negligencia o exercício dos direitos, como a demarcação de terras, não conseguindo impedir, por sua vez, a dizimação indígena. Consoante a Francis Bacon, é preciso criar oportunidades e não somente transformá-las. Nessa perspectiva, percebe-se a ineficiência governamental em engendrar oportunidades que viabilizem a proteção dos direitos dos índios. Logo, medidas devem ser insufladas para alterar o atual panorama brasileiro.
Sob o olhar de Oscar Wilde, a não aceitação da realidade é o primeiro passo para a evolução de uma nação. Urge, portanto, que o Poder Público, em parceria com o Ministério da Agricultura, garanta o exercício dos direitos indígenas, por meio da demarcação de terras que impeça o avanço do agronegócio sobre as terras dos povos que ali habitam, com o fito de oferecer uma melhor qualidade de vida para esses indivíduos. Outrossim, é preciso que as Escolas desmistifiquem a visão equivocada dos indígenas, por meio de debates que podem acontecer no dia do índio, objetivando formar cidadãos mais respeitosos. Assim, o livro Macunaíma será, apenas, parte do acervo literário.