A questão indígena no Brasil contemporâneo
Enviada em 14/07/2020
Na primeira geração do Romantismo criou-se a imagem do índio de forma heroica, a fim de associá-la à construção de um sentimento nacionalista no Brasil. Todavia, nota-se que essa discussão proposta no século XIX foi superficial, uma vez que o índio contemporâneo continua sofrendo diversas formas de violências. Neste sentido, urge reavaliar seu espaço e importância nos dias atuais, visto que a cultura indígena é parte constituinte da identidade brasileira.
Em primeiro plano, é sabido que a proteção dos povos originários é imprescindível para a preservação da história nacional. Pois, conforme Gilberto Freyre postulou, a sociedade brasileira nasceu da miscigenação, isto é, da diversidade étnica. Dessa forma, a defesa da cultura indígena é de suma importância para a garantia da pluralidade cultural que, tal qual pospôs o sociólogo, é base intrínseca da identidade nacional.
Ademais, é notório a histórica agressão as populações nativas em território nacional. Nesse esteio, a carta de Pero Vaz de Caminha descreveu a língua indígena como inferior por não possuir o “F”, “R” e “L”; subentendendo, assim a suposta ausência de “fé”, “rei” e “lei”. Logo, essa repressão do falar português sobre a língua tradicional brasileira não só retrata a violência simbólica sobre os povos originários, como também fomenta e legitima a persistência do genocídio a essas populações. Portanto, com a finalidade de mitigar os efeitos da violência simbólica sobre as populações originárias, cabe à Fundação Nacional do Índio (FUNAI), visto que é o órgão responsável pela proteção e promoção dos direitos dos indígenas, ampliar campanhas que tratem sobre a importância da preservação e valorização dessa cultura, mediante à participação de formadores de opinião e à utilização de linguagem compreensível.