A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 17/07/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual seu corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Contudo, o que se observa na realidade é o oposto, uma vez que a desvalorização da cultura indígena no país apresenta obstáculos para a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico tanto é fruto de uma má influência midiática quanto de uma matriz educacional etnocêntrica. À partir disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos.

Em primeiro ponto, pode-se apontar a influência midiática como um empecilho à conclusão de uma solução. Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Sob esse viés, observa-se que em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população, a mídia influencia na consolidação de uma invisibilidade indígena, já que o compartilhamento da cultura nativa é quase nula nos canais de comunicação em massa, consoante ao jornal “Jovem Pan”. Ao partir desse pressuposto, é notório a opressão midiática sobre os povos autóctones, logo, estimula-se uma exclusão cultural e, por conseguinte, colabora com o etnocentrismo no país.

Em segunda análise, é fulcral pontuar uma centralização étnica no ambiente escolar como promotora do problema. Para Kant, o ser humano é o resultado da educação que teve. De acordo com essa perspectiva, se há um problema social, perfaz como base uma lacuna educacional. No que tange à desvalorização da cultura dos povos indígenas, nota-se a forte ingerência dessa causa, visto que a escola não tem cumprido seu papel no sentido de reverter a contenda, pois não está trazendo às salas de aula conteúdos que ajam na resolução do conflito, em razão de que o MEC (Ministério da Economia) colabora com uma matriz educacional etnocêntrica, no que concerne à exclusão cultural dos povos indígenas no âmbito escolar na contemporaneidade segundo a revista “Gazeta do Povo”. Desse modo, faz-se mister uma reformulação na matriz educacional mediante o MEC.

Portanto, infere-se que ainda há entraves para o fim da invisibilidade indígena. Destarte, com o intuito de mitigar o problema, urge que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Estado, será revertido em programas, por meio da FUNAI(Fundação Nacional do Índio), objetivando expandir o conhecimento de toda a população brasileira sobre a cultura nativa dos povos. Dessa maneira, o Brasil alcançará a “Utopia” de More.