A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 13/03/2021

O filme “Pocahontas”, produzido pela Disney, narra um romance entre duas pessoas de diferentes culturas: Pocahontas, uma indígena e o capitão inglês, John Smith, cuja missão é explorar economicamente as novas terras descobertas. Ao longo da obra, sérias críticas são feitas sobre o processo de aculturação ocasionado pelo pensamento etnocêntrico e suas consequências. Fora do contexto cinematográfico, percebe-se que povos indígenas ainda têm seus direitos negados e sofrem devido a isso. Nesse sentido, é válido analisar como os estereótipos e a negligência do governo influenciam essa problemática.

É importante, de início, observar que a comunidade indígena ainda é alvo de discriminação e grande parte desse problema é ocasionada pela visão estereotipada que a sociedade tem. Isso porque as pessoas são, desde crianças, ensinadas que os povos indígenas são todos parecidos, senão iguais, culturalmente. Sob tal ótica, nota-se que a atual questão indígena é pouco discutida no âmbito escolar, por exemplo, o que causa certo desconhecimento por parte da população no que diz respeito à cultura e luta diária desses povos nativos. De acordo com o último censo geográfico (2010), realizado pelo IBGE, o número de índios chega a quase 900 mil, no país, entretanto, percebe-se que debates acerca da comunidade indígena são postos em segundo plano, fato que implica o desrespeito e reprodução de preconceitos.

Outrossim, compreende-se que a negligência Estatal atinge diretamente a população indígena. Tal relação é baseada no fato de o governo não cumprir seu papel de garantir os direitos constitucionais às comunidades indígenas, o que torna ainda maior a vulnerabilidade desses povos. O livro “O amanhã não está à venda”, escrito em 2020, pelo indígena Ailton Krenak, faz uma reflexão sobre as condições adversas que esses diversos povos vivem, antes e durante a pandemia do Coronavírus, e sobre as consequências que essa situação acarreta à vida individual e conjunta dessas populações, – como problemas sociais, relacionados à moradia e saúde básica, principalmente. Como efeito, a população nativa fica sujeita à extinção contínua de sua cultura e individualidade.

Portanto, diante da importância da questão indígena no brasil atual, é necessário que o Ministério da Educação promova atividades lúdicas, por meio de aulas e debates educacionais que promovam um maior conhecimento sobre as diferentes culturas indígenas e seus problemas enfrentados na atualidade, a fim de que a sociedade acabe com o pensamento preconceituoso e discriminatório. Ademais, o Poder Executivo, em parceria com a Fundação Nacional do Índio, deve ampliar e tornar mais rígidas as políticas de proteção às terras indígenas, a fim de garantir os direitos e a dignidade humana.