A questão indígena no Brasil contemporâneo
Enviada em 27/07/2020
A questão indígena no Brasil está além de ser uma problemática contemporânea, visto que, o desrespeito com os índios começam na Colonização e perpetuam hodiernamente. Nesse contexto, existe dois fatores que colaboram com isso, sendo eles, as questões agroindustriais brasileira e a falta de conhecimento sobre a cultura.
A priori, convém ressaltar que o Brasil é uma das principais potências agrônomas e que sua economia é, altamente, voltada para o campo. Logo, os avanços das fronteiras agrícolas invadem os limites dos terrenos indígenas, e por consequência, ferem os direitos previstos na Constituição Federal, posto que garantem a segurança, a igualdade e o direito à terra. Segundo a Fundação Nacional do Índio, a segurança se torna falha a partir do momento em, que os latifundiários, para adquirir posses dos terrenos, partem para as agressões, físicas e verbais, além de amedrontar e até mesmo matar integrantes desses grupos. Sob tal ótica, é preciso analisar, como, por exemplo, o ocorrido no Maranhão, no início de 2019, que deixou 13 nativos feridos. Em suma, é evidente que essa população desfruta de uma igualdade desigual, já que é mais rentável, economicamente, a agricultura do que a manutenção das causas indígenas.
A posteriori, vale salientar que desde 1500, com a carta de Pero Vaz de Caminha, o país colonizado e os indivíduos encontrados são definidos como um povo que precisa de salvação ,pois, não possuem fé, nem lei e nem rei. Portanto, o desconhecimento e o desrespeito cultural inicia e enraíza nesse momento, uma vez que desconsideram e ignoram tudo aquilo que encontraram e que pertenciam à população ali presente e implementam a sua cultura como superior. Contudo, a visão eurocêntrica é banhada de estereótipos e preconceitos, posturas características das grandes navegações que perduram até hoje. Sendo assim, o Art. 231, que garante aos índios o respeito a sua cultura, não é exercido de forma plena, dado que a falta de conhecimento perpetuam, afinal, não existe um processo de ensino que mostre um ponto de vista fora do senso comum e que provoque uma desconstrução da imagem negativa que criaram. Em síntese, é nítido que a construção da figura indianista no Romantismo é antagônica a contemporaneidade e a muitos outros períodos literários, e a cada grupo que some, desaparece um pouco mais da cultura nativa, que de acordo com a FUNAI, representa menos de 0,5% população brasileira.
Em face do exposto, é preciso que o governo, crie políticas públicas, de modo que colaborem para a inclusão e para a manutenção da cultura e do território. Isso pode ser feito, mediante investimentos na FUNAI, que é o órgão indigenistas do Estado, buscando efetivar, por exemplo, Art.231 da Constituição.