A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 30/07/2020

No século XIX, a primeira fase do Romantismo brasileiro buscou ressaltar as preciosidades nacionais, sobretudo, os indígenas, dando-lhes suma importância na construção heroica do país. Todavia, na contemporaneidade brasileira, os povos ameríndios sofrem com o preconceito, o descaso e o etnocídio cultural, visto que surgem, por parte do Ministério da Agricultura, projetos de demarcações de terras, os quais limitam e restringem ainda mais o espaço de manifestação da cultura nativa, contrariando, dessa forma, os ideais da fase romântica indianista. Dado o esxposto, deve-se analisar não somente a influência do capitalismo - que vai de encontro às lutas dos heróis nacionais -, mas também a função educacional para auxiliar nesse processo.

Em primeiro plano, é imprescindível entender como a busca pelo lucro monetário está inserida contra os movimentos indígenas. O filósofo Karl Marx dizia que o capitalismo é o sistema que prioriza renda em detrimento de valores. Dessarte, é indiscutível que o avanço do agronegócio e, consequentemente, da fronteira agrícola aspiram ao desenvolvimento financeiro sem a preocupação com a preservação das áreas ameríndias, ou seja, além de haver a concretização da máxima marxista, há também a perda inevitável da cultura desses povos e a deturpação de direitos garantidos pela Constituição Federal de 1988 - a qual garante território e proteção dos costumes dessa minoria. Por conseguinte, há a sensação de revolta e de não pertencimento ao Estado.

Ademais, é preciso examinar como os meios educacionais estão inseridos na evolução desses acontecimentos. O ex-presidente sul africano, Nelson Mandela, afirmava que era necessário desenvolver a educação para que houvesse o surgimento do progresso. Com base no excerto, infere-se que enquanto não houver projetos intelectuais que impliquem a manutenção dos direitos autóctones e a mitigação do preconceito contra os nativos, o lema positivista “Ordem e Progresso” não será alcançado, isto é, perdurará a continuação da mentalidade de “Brasil Colônia” - o qual as riquezas, materiais e imateriais, são exportadas para a metrópole, o que aprisiona e predestina o país à servidão.

É mister, portanto, que projetos sejam criados para que os conflitos com a população nativa seja extinto das terras tupiniquins. Destarte, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com a Fundação Nacional do Índio, a criação de cartilhas e a elaboração de palestras para serem implantadas na grade curricular dos alunos desde o ensino fundamental, com o objetivo de alertá-los e ensiná-los sobre a importância dos indígenas na construção histórica nacional, o que propiciará a concretização da máxima de Nelson Mandela e acarretará o alcance do progresso. Assim, o Brasil distancear-se-á dos efeitos causados pelo etnocidio e aproximar-se-á do desenvolvimento pleno, mútuo e social.