A questão indígena no Brasil contemporâneo
Enviada em 12/08/2020
Durante o Segundo Reinado, várias populações indígenas foram convocadas a defender as causas brasileiras na Guerra do Paraguai. Influenciados pelas propostas por terras e melhores condições de vida, caso ganhassem a guerra, várias tribos tradicionais aceitaram e lutaram em prol brasileiro. Todavia, nem ao menos direito às suas terras essas colônias ganharam. Paradoxalmente, mesmo na contemporaneidade, os cidadãos que se reconhecem como índios convivem com vários problemas, relacionados principalmente a violência sofrida por esses povos e pela ignorância da população brasileira em reconhecer suas manifestações culturais. Dessa forma, torna-se imprescindível a busca por soluções que atenuem essa problemática.
Em primeiro plano, a violência sofrida pelas populações indígenas tem como principais causas a disputa por terras e a descaracterização dos povos tradicionais como cidadãos. De fato, o problema das brigas territoriais entre tribos tradicionais e latifundiários assolam o Brasil desde sua colonização. A política imperial das Capitanias Hereditárias seguida da Lei de Terras de 1950 contribuíram para que o desrespeito às terras indígenas tornasse-se algo normal, aceitável e muitas vezes até legalizado. Além disso, outro fator que contribui para os altos índices de mortes contra contra as populações nativas é a construção da ideia do “índio como selvagem”, ou seja, como um ser sem cidadania, não pertencente a sociedade. Essa mentalidade justificou muitos casos violentos, entre eles o do indígena queimado vivo por um grupo de jovens no final dos anos 90.
Em segundo plano, o ensino “europeizado” presente nas escolas brasileiras contribui para a construção de um “pseudoíndio”, o que afeta ainda mais a integração efetiva desses povos. Desde a colonização do território brasileiro existiram tentativas de formar uma Brasil de características e visão europeia. Isso pode ser percebido, por exemplo, no estabelecimento da Missão Francesa em território nacional, essa entidade teve como principal objetivo retratar as caraterísticas territoriais e culturais sob um viés do velho continente, o que foi um dos contribuintes para que não exista ainda hoje nacionalmente uma visão sem resquícios de outros países, fato que dificulta ainda mais a integração e conhecimento efetivo em relação às comunidades tradicionais nacionais.
É imperativo, portanto, que o Estado, por meio do Ministério da Educação, promova palestras e aulas sobre as características indígenas, a fim de que a ignorância e a violência proporcionada por esse fator sejam atenuadas. Tais ações educacionais devem ser feitas em maioria pelas tribos nativas de cada região, sendo colocadas em pauta principalmente questões relacionadas à importância das terras e de sua demarcação. Com isso, os direitos inalienáveis aos povos tradicionais serão respeitados.