A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 12/08/2020

No século XVIII, o Marquês de Pombal, primeiro-ministro português no Período regencial, instituiu a língua portuguesa como único idioma brasileiro e proibiu o ensino e uso do tupi, um dos dialetos utilizados pelos nativos do Brasil. Desse modo, a preservação da linguagem dessas pessoas foi afetada. Até os tempos atuais, os povos indígenas têm suas tradições e expressões aniquiladas pelas autoridades nacionais e pelos grandes empresários, que desmatam e expulsam os índios de suas regiões originárias com o intuito de ampliar áreas para fins lucrativos. Portanto, as manutenções territoriais e culturais dos índios, vitimas da xenofobia, ainda encontram-se ameaçadas.

Em primeira análise, deve-se lembrar que a chegada das missões jesuíticas na América teve como objetivo evangelizar e civilizar as tribos naturais brasileiras. Visto isso, é possível afirmar que desde o século XVI estes eram vistos pelos estrangeiros como selvagens e sem cultura. Por esse raciocínio, hodiernamente, o olhar deturbado e xenofóbico para com esses indivíduos revela-se enraizado em milhares de brasileiros, o que facilita que a indústria do agronegócio e seus colaboradores não hesitem em desmatar as zonas ocupadas pelos nativos. Exemplo disso é mostrado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais que em quatro meses 1.360 hectares de floresta foram desmatados dentro de terras indígenas da Amazônia. Por isso, ocorre o conflito violento entre os habitantes locais e os defloradores. Certamente, ao perderem seus espaços, os índios buscam outros ambientes e sucede, assim, a dispersão de seus corpos, culturas e línguas.

Ademais, com a diáspora dos brasileiros originários torna-se mais difícil a proteção de suas tradições. Uma vez que indivíduos suprimem e oprimem os primeiros cidadãos nacionais. Por analogia, no romance pós-moderno “Nove Noites”, de Bernardo Carvalho, nota-se o afastamento social criado entre os pertencentes às tribos indígenas e os não pertencentes.  Estes segregam-se ao passo de não reconhecerem que constituem parte da mesma nação. Portanto, constata-se a gravidade do distanciamento e competição entre esses dois grupos, que na verdade são o mesmo.

Em suma, os problemas enfrentados pelas comunidades indígenas na contemporaneidade, se dão pelo preconceito e desrespeito histórico sofridos por elas. Para que ocorra a preservação do patrimônio cultural, linguístico e territorial desses povos é necessário que o Ministério da Justiça através da Fundação Nacional do índio atue com a fiscalização rígida do cumprimento da demarcação de terras indígenas. Além disso, torna-se essencial, no calendário obrigatório de escolas brasileiras, um evento com a participação de índios para que desconstrua-se a xenofobia vigente. Somente assim será possível garantir direitos e evitar o desaparecimento dos povos indígenas.