A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 13/08/2020

Na primeira fase do Romantismo brasileiro, denominada Indianista, encontra-se uma preocupação com a identidade nacional ligada a imagem o índio. Assim como o século XIX, o dilema em torno da cultura indígena é profundamente presente, visto que, a problemática da demarcação de terras e o desdém com a etnia são questões de suma importância que assombram a sociedade brasileira.

Nesse sentido, pode-se pensar que o conflito entre os Índios e a Bancada Ruralista brasileira, também conhecida como Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), é decorrente da demarcação de terras. No hodierno, aFPA, composta por grandes latifundiários, considera que a delimitação de propriedades indígenas é um obstáculo para o avanço do agronegócio, no qual, visa extração de minerais e madeira, bem como construção de grandes obras. Com isso, grupos nativos acabam por ver suas terras, que tem valor além do econômico sendo o meio de sustento e condição existencial à cultura e identidade, ameaçadas pelo suposto progresso e desenvolvimento econômico brasileiro.

Além disso, sua cultura é fortemente menosprezada desde que houve o primeiro contato com essa etnia no século XVI, início da colonização. Nessa linha de pensamento, cabe suscitar os estudos de Claude Lévi-Strauss, onde ele rejeita a idéia de superioridade e privilégio da civilização ocidental, afirmando que a mente selvagem e tribal é igual à mente civilizada. Essa assertiva é relevante quando analisamos as sociedades contemporâneas que acreditam ser superiores em relação às outras, seja por características distintas ou mesmo pelo nível de desenvolvimento do corpo social. Dessa forma, algumas etnias são marginalizadas como forma de punição por não aderir aos costumes e preceitos impostos pela maioria.

Infere-se portanto, que projetos para ampliação da diversidade cultural e respeito ao processo de desenvolvimento próprio de cada comunidade, sejam pensadas. Cabe às esferas do Governo Federal, desenvolver projetos de leis que possam garantir os direitos dos indígenas, visto que, grande parte da demarcação de terras têm hoje interesses políticos disfarçados.Isso pode ser feito contando com representantes indígenas presentes nos projetos, para proteger as verdadeiras necessidades das tribos.O Poder Legislativo deve se encarregar de equilibrar os danos das demarcações de terras para os ruralistas bem como, proteger os interesses dos indígenas. Ademais, nos ambientes escolares e em todas as formas de socialização, por meio das Secretarias de Educação, a cultura indígena deve ser inserida de forma respeitosa com intuito de tornar-lá parte da identidade nacional.