A questão indígena no Brasil contemporâneo
Enviada em 14/08/2020
No livro" Cidadãos de papel", o jornalista Gilberto Dimenstein expõe um cenário no qual os indivíduos possuem a asseveração dos seus direitos sociais somente na teoria. Da esfera literária para a atual realidade dos índios no Brasil, apesar da Constituição Federal de 1988 reconhecer a importância da valorização da identidade indígena, as garantias das populações nativas ainda não são respeitadas na conjuntura nacional contemporânea. Nesse sentido, a carência de mecanismos de proteção efetivos coloca em xeque a manutenção da diversidade cultural dos povos tradicionais.
É fato que a Carta Magna brasileira defende o reconhecimento, e a inclusão, dos índios no cenário social considerando os seus territórios,costumes e crenças. Entretanto, apesar do marco legal, as populações nativas continuam a ter garantias desrespeitadas pela nação. Na esteira desse processo, é possível citar exemplos que vão desde as ocupações indevidas de terras indígenas- provocadas, em grande parte, pelo agronegócio- até a dificuldade de acesso a serviços básicos, como à saúde e a educação. Dessa forma, torna-se indubitável que, assim como exposto por Dimenstein, existe uma diferença seminal entre proclamar um direito e usufrui-lo plenamente.
Ademais,como consequência da ausência de mecanismos efetivos de proteção, a manutenção do patrimônio cultural indígena,no Brasil, é ,cada vez mais, colocada em risco. Segundo dados da UNESCO, Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, cerca de 190 idiomas nativos já apresentaram traços de uma possível extinção. Sob esse viés, percebe-se que o desaparecimentos das línguas tradicionais é um reflexo da segregação existente entre os índios e a sociedade em geral . Por conseguinte, urge a promoção de atos capazes de valorizar, de maneira concreta, a identidade dos índios brasileiros.