A questão indígena no Brasil contemporâneo
Enviada em 21/08/2020
Consoante a Constituição Federal de 1988, é dever do Estado estimular e propiciar as atividades que possuem cunho cultural. Especificamente, no que tange à cultura indígena, o artigo 231 explicita a necessidade de proteger as terras e as raízes culturais dos povos nativos. Entretanto, apesar de protegidos por lei, comportamentos oriundos de raiz histórica e interesses econômicos agropecuários dificultam a preservação da cultura indígena.
Mormente, vale que ressaltar que, embora as nações indígenas sejam parte fundamental do processo de formação cultural, ao longo do processo histórico, houve uma marginalização da cultura indígena. Ainda que muitos bairros e ruas das grandes cidades possuem nomes indígenas, tal relação é desconhecida por maior parte da população. Esse desconhecimento dos elos com as culturas indígenas é fruto de um processo de europeização que se iniciou já no período Colonial. A visão que era necessário catequizar e introduzir o indígena na cultura católica, gradativamente, foi se expandindo para esferas não religiosas e reverberam e permanecem no consciente coletivo até hoje.
Ademais, associado ao desconhecimento cultural, há, também interesses econômicos que exacerbam os conflitos com a cultura indígena. No Brasil, parte significativa do PIB advém de atividades agropecuárias que, por muitas vezes, são responsáveis por desmatar áreas de florestas que são essenciais para a manutenção da vida dos povos nativos. Além disso, o embate entre interesses econômicos e preservação cultural regularmente é vinculado à violência e assassinatos de naturalistas e protetores da causa indígena. Nesse contexto, o assassinato da naturalista americana Irmã Dorothy ilustra o caráter violento desses conflitos.
Infere-se portanto, que medidas são necessárias para resolver o impasse. Assim, o Ministério da Educação, por meio de parcerias com meios de comunicação, deve promover cursos e palestras a fim de informar a população sobre o importante papel da cultura indígena no país. Outrossim, o poder Executivo deve, através de maiores repasses financeiros, fortalecer as instituições como IBAMA e FUNAI a fito de controlar os conflitos entre agropecuaristas e índios. Em conjunto, tais ações serão fundamentais para que a cultura indígena seja preservada e valorizada pela sociedade como um tempo.