A questão indígena no Brasil contemporâneo
Enviada em 01/09/2020
A carta enviada por Pero Vaz de Caminha descrevia o recém descoberto Brasil, como rico e de grande perspectiva. Hoje, o cenário do índio brasileiro não oferta tanta riqueza devido à nação e ao despreparo governamental para lidar com a perda de territórios tribais e a falta reconhecimento social.
Em primeira instância, é fulcral salientar que o sociólogo Émille Durkheim afirma que o poder público se responsabiliza pelo gerenciamento das questões que envolvam a coletividade estabelecendo o bem-estar social. Entretanto, a perspectiva adotada pelo estudioso manteve-se no plano teórico, em virtude do descaso governamental em viabilizar investimentos, aptos a promoverem melhorias na permanência de territórios considerados indígenas. Diante disso, evitar o reconhecimento de terras herdadas pelos índios desde os primórdios de formação do país, no período colonial, acarretará como consequência a extinção dessa população e de seu passado conjunto com a criação da identidade nacional, visto que será desprovido áreas de construção de cultura, como rituais e relações tribais, assim como de linguagem, que possui raízes do português brasileiro falado contemporaneamente. Sendo assim, torna-se evidente medidas para preservar a história brasileira.
Ademais, é perceptível que o preconceito com os indígenas existe desde outras épocas. Dessa forma, pode-se perceber que ele foi - e ainda o é - transmitido por gerações, o que evidencia a banalização do reconhecimento social dos índios. Assim, a filósofa judia Hannah Arendt, em sua teoria “banalidade do mal”, defende que o comportamento xenófobo ou preconceituoso passa a ser realizado inconscientemente quando os indivíduos normalizam tal situação, o que pode ser comparado com a questão da discriminação dos nativos brasileiros, pois considerar uma forma de vida mais simples que outra, como exemplo os índios na natureza com uma pessoa na cidade, seria julgá-la sem o direito básico que todos os habitantes de uma sociedade possuem: a liberdade de expressão.
Por fim, caminhos devem ser elucidados para resolver esse impasse. Portanto, cabe ao Governo Federal elaborar um plano nacional de incentivo à prática da questão indígena na contemporaneidade, de modo a instituir ações como criar uma campanha de conhecimento da cultura dos índios brasileiros, com o “slogan” “conhecendo culturas”, objetivando reconhecer as moradias indígenas, antes destinadas a extinção. Isso pode ser feito por meio de uma associação entre prefeituras municipais, governadores e entidades educacionais que realize periódicos eventos de amostra das principais características tribais, como rituais, linguagem, vestimenta, casas, alimentos e entre outros, nas próprias instituições de educação, como a escola, mediados por próprios nativos voluntários de tribos por todo o Brasil. Dessa Forma, os cidadãos do país terão conhecimento da formação de seu território.