A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 16/09/2020

“A essência dos Direitos Humanos é o direito a ter direitos”. Essa frase, da filósofa Arendt, mostra a importância dos direitos serem mantidos na sociedade. No entanto, no que concerne à questão dos povos nativos do Brasil, verifica-se uma lacuna nos direitos humanos, criando um grave problema. Por isso, as questões indígenas tem como causa o legado histórico e encontra espaço na supremacia do capitalismo.

A princípio, é preciso atentar para o legado histórico presente na questão. Para o filósofo Lévi-Strauss, as ações coletivas são reflexos dos eventos históricos. Nesse viés, os indígenas são explorados, espoliados e mortos desde a chegada de Cabral em 1500, tal atitude persiste até hoje, com furto de áreas de reservas e assassínio dos povos. Segundo a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), a mortalidade infantil dos indígenas é cinco vezes maior a do brasileiro, fato que mostra o descaso do Estado com o bem estar do nativo. Assim, a questão dos povos nativos, apresenta raízes intrínsecas ao passado brasileiro, o que dificulta ainda mais sua resolução.

Outrossim, a supremacia do capitalismo agrava as questões indígenas, visto que o agronegócio e a mineração necessitam de grandes áreas para -desmatar- produzir seus bens. Tais setores, têm força parlamentar, a qual visa criar leis em desfavor aos povos nativos -diminuir e alienar áreas-, dado que eles detém 13% do território nacional e pouca representação no parlamento. Essas ações, destroem as culturas das mais de 300 etnias, pois são caçadores-coletores e necessitam da floresta para viver. Logo, a ditadura do capital prioriza o lucro em detrimento ao bem estar dos nativos.

Portanto, é mister a desconstrução do legado histórico e a supremacia do capital. Para tanto, as organizações indigenistas em conjunto com a mídia -rádio e TV-, devem criar campanhas culturais de valorização da vida dos povos nativos, por meio de séries dramatúrgicas que mostram a cultura dos indígenas, para destacar a importância cultural desses povos, bem como humanizá-los perante a sociedade brasileira. Deste modo, os cidadãos irão priorizar o bem estar e direitos humanos dos nativos ao invés do lucro.