A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 24/09/2020

O romance Iracema de José de Alencar representa o índio através da personagem cuja o nome é um anagrama de América. Ela se apaixona pelo colonizador Martin e juntos vivem um amor finalizado com a morte da índia. Ao contrário da ficção, a questão indígena na atual conjuntura do país é deplorável, isso porque, eles são constantemente marginalizados e têm seus direitos desrespeitados. Dois elementos contribuem para tal situação: o estereótipo e a negligência estatal. Logo, é urgente solucionar esses entraves.

Em primeira análise, entende-se que, desde os primórdios da colonização, os índios são vítimas de preconceitos estereotipados. Consoante o sociólogo Pierre Bourdieu, a sociedade possui padrões impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidos pelos indivíduos. Nesta lógica, o pensamento errôneo de superioridade do homem branco, sobretudo europeu, instiga a discriminação dos indígenas no espaço social. Por conseguinte, a visão etnocêntrica classifica os nativos como seres “não civilizados” e figuras folclóricas, uma vez que, só são reconhecidos na literatura. Desse modo, o desconhecimento da importância da vida indígena invisibiliza esse grupo.

Outrossim, é fato que há um descaso por parte do Estado frente à questão indígena. No trecho “Mas o Brasil vai ficar rico/ Vamos faturar um milhão/ Quando vendermos todas as almas/ Dos nossos índios num leilão” da música “Que país é este?” da banda Legião Urbana, percebe-se que não há uma preocupação em preservar a vida dos índios, uma vez que, eles não representam para os agentes estatais um valor de mercado. Sendo assim, o Estado, ao invés de preservar a vida daqueles que são patrimônio cultural do país, destroem de forma vil qualquer vestígio das comunidades indígenas. Destarte, a negligência frente a importância da existência indígena nega-lhes o direito à vida.

Dado o exposto, a questão indígena no Brasil contemporâneo precisa ser reformulada. Para tal, a Funai deve, por meio da liberação de verbas pelo Governo Federal, aumentar o monitoramento das terras indígenas, com o objetivo de garantir seus direitos. Além disso, é imprescindível perpetuar a cultura indígena nas escolas, com feira e palestras ministradas pelas próprias comunidades, com intuito de entender um pouco mais acerca de seus costumes. Assim sendo, o índio voltará a ser valorizado tal como no romance Iracema.