A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 12/10/2020

A luta por expressão: a vida dos nativos do Brasil

No filme “Tainá - A Origem” é retratada a história de Tainá, uma jovem indígena oriunda de uma tribo guerreira. Nesse sentido, a trama foca na jornada da personagem na defesa da comunidade a que pertence, frequentemente ameaçada por malfeitores que se interessam pela possibilidade de explorar a região e obter lucros. Fora da ficção, a realidade apresentada pelo longa relaciona-se ao Brasil atual, visto que, ainda hoje, índios brasileiros são ameaçados pelos recorrentes atentados de capitalistas contra as terras que habitam. Sendo assim, é mister compreender como a consolidação da desvalorização da cultura autóctone contribui para esse quadro ameaçador aos aborígenes.

Em primeiro plano, menciona-se a colonização portuguesa como consolidadora do desrespeito aos nativos brasileiros. Diante disso, há a Companhia de Jesus, que, no século XVI, impôs o modo de vida europeu a esse povo marginalizado. Dessarte, iniciou-se um processo de aculturação e dominação do indígena que se propaga até os dias de hoje. Esse fato é o responsável por casos de violência cometidos contra esse grupo, como o assassinato do líder Guajajara por madeireiros maranhenses em 2019. Assim, é nítido que a hegemonia caucasiana, enraizada no Período Colonial, conserva-se na contemporaneidade, silenciando e limitando as vozes do movimento autóctone.

Além disso, a indiferença da maior parte da sociedade moderna quanto à segregação aborígene corrobora para a manutenção dessa mazela social. Nesse contexto, tem-se o “complexo de vira-lata”, do escritor Nelson Rodrigues, o qual expõe que muitos compatriotas julgam o que é próprio do país como sendo algo negativo e inferior perante o resto do mundo. Logo, a cultura indígena, puramente nacional, é vista como algo descartável. Sob esse prisma, destaca-se a tese de Leandro Karnal, que expõe ser um Estado fruto da população por ele governada. Por conseguinte, em um corpo social vira-lata torna-se inevitável a presença de um governo indiferente à valorização do índio.

Portanto, medidas hão de ser tomadas, a fim de afirmar uma política de proteção ao povo indígena no Brasil. Primeiramente, a Secretaria Nacional de Justiça deve punir e fiscalizar, de forma mais rígida, crimes praticados contra autóctones, honrando a ação “#MenosPreconceitoMaisÍndio”. Isso será possível por meio da parceria com órgãos legisladores e atestará o direito desses indivíduos à vida plena. Ademais, o Ministério da Educação, a partir da cooperação com escolas, precisa promover palestras que despertem o senso crítico popular acerca da riqueza cultural e importância dos índios para a história brasileira, reforçando campanhas voltadas a esse espectro, como a “Abril Indígena”. Desse modo, garantir-se-ia uma vivência justa a esse grupo, como defende o filme “Tainá - A Origem”.