A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 19/10/2020

As obras produzidas durante a 1° fase do romantismo no Brasil, como “O Guarani”, de José de Alencar, apresentam a imagem de um índio como herói da nação, visto que o principal motivo do movimento era a formação de um sentimento patriótico, atrelado ao povo originalmente brasileiro. Contudo, ao se analisar a história do país, é evidente que a aceitação do índio restringiu-se somente ao âmbito literário, já que, na maioria dos casos, os povos indígenas não foram e não são devidamente implementados na sociedade, tornando-se marginalizados ou esquecidos pela população. Nesse sentido, o processo de dominação histórica sobre a cultura indígena, acompanhada da pressão agropecuária, corroboram na extinção dos povos nativos.

Em primeiro plano, é imprescindível salientar que o reflexo histórico contribuiu para que os índios perdessem seu espaço e fossem subjugados. É sabido que o processo de colonização brasileiro, iniciado no século XVI, foi marcado pela dominação portuguesa sobre os indígenas, por meio da repreensão, escravidão e imposição dos costumes e crenças europeias sobre a nativa. Por conseguinte, é possível observar que as consequências dessas ações corroboraram não somente na perda populacional indígena, mas também na extinção de costumes, línguas e religiões e, inclusive, na intensificação da negligência cidadã urbana, que tornando-se cada vez mais distante desse povos, torna-se indiferentes ou inconscientes a respeito do extermínio indígena.

Além disso, o crescimento do setor primário contribui no agravamento da problemática. Consoante ao pensamento do sociólogo polonês Zygmunt Baumam, o capitalismo é um sistema parasitário, pois prospera durante certo período, desde que encontre um organismo ainda não explorado que lhe forneça alimento. Dessa maneira, a produção agropecuária exportadora, principal atividade econômica do país, se não devidamente controlada, avança sobre as terras demarcadas indígenas, acarretando em disputas violentas e na perda do território indígena.

Infere-se, portanto, que os povos nativos e suas culturas estão ameaçados. Logo, é de função da mídia promover a conscientização social, por meio da realização de debates em canal aberto, com profissionais da área da história, antropologia e sociologia, que irão expor o processo histórico e o atual cenário de exploração dos povos indígenas, a fim de promover indignação e mobilização popular, que exigirão medidas do atual governo. Consequentemente, o Poder Executivo deverá destinar maior montante para a melhoria dos sistemas de fiscalização via satélite das terras indígenas demarcadas, a fim de identificar e punir rapidamente tentativas de invasão às terras. Só assim, será possível que o índio garanta seu espaço, a fim de que a valorização desses povos não estejam restritos à literatura.