A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 23/10/2020

Quando chegou ao Brasil, em 1500, Pero Vaz de Caminha relatou em sua carta a impressão que teve acerca dos povos nativos, categorizando-os como uma civilização atrasada e que precisava ser colonizada. Após mais de 500 anos, tal estereótipo ainda perdura na sociedade brasileira. Nesse âmbito, a disseminação de uma cultura que tende a desvalorizar os povos indígenas traz como consequência uma ameaça para essa comunidade.

A princípio, cabe destacar a ignorância dos brasileiros em relação ao tema. De acordo com o psicanalista Freud, “o novo sempre despertou perplexidade e resistência”. Nesse contexto, é válido dizer que a questão indígena é “nova” para a maioria dos brasileiros, tendo em vista que a problemática lhes é apresentada de forma tardia. Isso se deve ao fato de que desde o início da vida escolar, o índio é tratado como objeto folclórico e não como um ser com direitos que precisam ser garantidos. Dessa forma, enquanto a população não for conscientizada a respeito, haverá resistência em reconhecer tais direitos.

Como consequência, a cultura e os territórios indígenas são colocados em risco. Segundo dados do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), o assassinato desses povos cresceu 20% em 2018, evidenciando a gravidade da situação. Além da morte física, há também a morte de sua cultura, linguagem e costumes que deixam de ser passados para as próximas gerações. Sendo assim, com a extinção de uma cultura tão rica e diversificada como essa, o que resta é um mundo pobre e intolerante à diversidade.

Desse modo, é nítido que a questão indígena no Brasil precisa ser mais discutida para que sua pluralidade seja respeitada. Para mudar a atual conjuntura, é preciso que as escolas, que são essenciais no desenvolvimento do ser, abordem de forma mais ampla a cultura indígena e a importância de sua contribuição para a identidade nacional, por meio de aulas e atividades com profissionais a fim de formar alunos conscientes. Assim, espera-se extinguir o estereótipo trazido pelos portugueses acerca da comunidade indígena.