A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 28/10/2020

“Nós negamos a raíz”, afirma a política Marina Silva, quando entrevistada no documentário “Lutas.doc” sobre as relações com as populações indígenas e negras do Brasil. Tal afirmação não traduz apenas a dificuldade histórica de respeito físico, territorial e constitucional aos povos originários, mas também a persistência de importação de um modo de ser e estar único, em detrimento dos saberes da terra. Assim, os desafios com a causa indígena perpassam o palpável e adentram a raíz do inconsciente coletivo formatado.

Em primeira análise, a metamorfose da invasão física e territorial branca, iniciada em 1500, atualmente apresenta-se em forma de queimadas não naturais, alastrando a Franja Amazônia e mais de 20% do Pantanal, segundo o jornal O Globo. Ademais, o consumo desenfreado dos “recursos” naturais abordado por Ailton Krenak em “A Terra Não É Útil”, colaborou com contaminação dos povos por Covid-19, representando mais uma forma de extermínio, considerando a dificuldade de acesso e escassez de hospitais.

Outrossim, visão de ciência europeia como forma única de saber válido também configura-se como violência, como relata Cristine Tauká no Selvagem Ciclo 2019.  Nesse sentido, ela afirma que a universidade “nada de universal tem”, uma vez que não dialoga com outras culturas e ignora a complexidade e sutileza dos diálogos criativos da floresta. Ainda, critica: apesar de escrever muito, não carrega uma memória ancestral e pouco a conhece.

Desse modo, faz-se urgente o diálogo respeitoso com nossas próprias raízes. Nesse sentido, por meio do Ministério da Educação, há de ser inserido no currículo escolar, da educação infantil ao ensino médio, formas outras de transmissão de conhecimento, assim como falas de povos originários sobre seus modos de ser e estar. Assim, afim de ajudar o país a enxergar a beleza de sua pluralidade cultural, crianças e adolescentes poderão, por exemplo, desde jovens compreender a necessidade manter a floresta em pé, abrigando nações indígenas inteiras, além de regular as chuvas no território e resistir às mudanças climáticas, gerando um benefício comum.