A questão indígena no Brasil contemporâneo
Enviada em 30/10/2020
Segundo Zygmunt Bauman, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é característica da “modernidade líquida”, vivenciada durante o século XX. Analisando o pensamento do sociólogo polonês, depreende-se que essa realidade imediata perpetua-se com a questão indígena no Brasil, causada pela atuação de grandes latifundiários na política e o preconceito racial contra esses povos, e efetiva-se como uma das maiores incógnitas do território brasileiro.
É incontestável que os aspectos governamentais estejam entre as principais causas da questão indígena. De acordo com o artigo 3 da Constituição brasileira, é dever estatal construir uma sociedade livre, justa e solidária, garantindo o desenvolvimento nacional. No entanto, seguindo os últimos dados relacionados à invisibilidade indígena brasileira, a ação legal encontra-se distante da efetivação, haja vista que a bancada ruralista, maior inimiga dos povos indígenas e poderosa aliada do presidente, tem extrema influência no Congresso, aumentando a invasão de terras e o assassinato de lideranças indígenas que lutam pela demarcação e prejudicando a preservação da cultura e dos povos indígenas.
Da mesma forma, evidencia-se o preconceito racial estrutural como impulsionador do problema. Segundo Michel de Montaigne, a mais honrosa das ocupações é servir o público e ser útil às pessoas. No entanto, em contraposição ao pensamento do filósofo, a atuação produtiva da sociedade encontra-se distante no país, uma vez que constitui as ações conscientes e inconscientes que massacram os indígenas nos segmentos econômicos - em decorrência do sistema capitalista, colonialismo da pecuária e agronegócio -, e políticos - haja vista que não há representatividade indígena no legislativo, executivo ou judiciário e tampouco deputados, vereadores ou senadores e subjetivos. Nesse sentido, segundo o Tribunal Superior Eleitoral, indígenas representaram 0,34% do total de candidaturas em 2016.
O combate à liquidez citada inicialmente, a fim de conter o avanço da invisibilidade da questão indígena no Brasil, deve tornar-se efetivo, posto que, ocasionado pela ação de grandes latifundiários na política e o preconceito racial contra esses povos, garante a persistência do problema. Sendo assim, o Ministério da Educação deve investir em palestras e aulas com pedagogos, políticos, advogados e psicólogos indígenas promovendo a educação de crianças desde a mais tenra idade, ensinando a acabar com tabus e preconceitos sobre as comunidades indígenas. Aliado a isso, o Ministério da Justiça deve dedicar-se a elaboração de projetos sociais a fim de combater a constância da questão indígena no Brasil, como campanhas estimulando a candidatura de indígenas para cargos superiores e representativos da população, com o auxílio dos meios de comunicação e da Fundação Nacional do Índio, construindo-se, então, uma sociedade mais fiel aos princípios da Constituição.