A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 16/11/2020

Selvagens, não civilizados, primitivos, preguiçosos. Muitos são os estereótipos construídos sobre os povos originários, carregados de preconceitos e mitos. No Brasil atual, essas ideias perpassam o imaginário popular, fruto do processo violento de colonização. Além disso, os interesses econômicos têm representado um entrave para a demarcação de terras indígenas. Logo, é necessário analisar esses problemas, com vistas a solucioná-los.

Em primeiro plano, é pertinente destacar o pensamento da pesquisadora Carla Akotirene. Segundo ela, os ideais da colonização fazem parte do conhecimento e do pensamento das pessoas. Nesse sentido, a imagem criada pelos Europeus sobre os nativos, carregada de mitos e ideologias racistas, que afirmavam a superioridade dos brancos, é vigente no Brasil contemporâneo. Isso fica evidente nas noções populares de que os indígenas não possuem cultura ou civilização, pensamento reforçado pelo presidente Jair Bolsonaro ao comentar que “cada vez mais o índio é um ser humano igual a nós”. Além disso, Akotirene chama de epistemicídio o apagamento da cultura e da sabedoria ancestral, o que é observável no país atual, haja vista que a maioria das escolas não possuem compromisso em ensinar sobre os saberes dos povos originários. Em síntese, essas são as causas dos problemas enfrentados pelos nativos brasileiros.

Ademais, entre os problemas causados por esse imaginário colonial, observa-se a dificuldade enfrentada no processo de demarcação de terras indígenas. Nessa perspectiva, segundo a escritora Silvia Federici, a colonização foi essencial para a consolidação do capitalismo. Em consonância com esse pensamento, na atualidade brasileira os povos originários são explorados com vistas a garantir o interesse de grandes capitalistas. Dessa forma, latifundiários, mineradores e madeireiros travam uma luta contra a demarcação de terras, haja vista que desejam explorar essas terras para obterem lucros. Assim, esses povos enfrentam dificuldades devido aos interesses econômicos em seus territórios.

Logo, com vistas a desconstruir pensamentos mistificadores sobre a população indígena, medidas são necessárias. Para tal, o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Cultura, deve promover o conhecimento sobre a cultura dos povos nativos nas escolas, desde a mais tenra idade. Isso deve ser feito por meio de debates, aulas e rodas de conversa, que devem contar, especificamente, com a presença de pessoas indígenas que falem sobre essa causa, a exemplo de Sonia Guajajara, importante militante pelos direitos dos povos originários. Dessa forma, o pensamento da população será descolonizado.