A questão indígena no Brasil contemporâneo
Enviada em 30/11/2020
Segundo José Airton Farias, autor da obra “Breves Histórias: indígenas no Brasil e povos da África”, os portugueses, ao desembarcarem no litoral brasileiro, se assustaram com a harmonia dos nativos que ali viviam. Para se ter uma ideia, no dialeto Tupi-guarani não existia palavras para designar “roubo”, “avareza”, “inveja” etc. Infelizmente essa inocência facilitou o genocídio de mais de 90% da população autóctone no período de colonização. Não obstante, cinco séculos após esse massacre, e com todos os direitos conquistados pela luta desses ancestrais, os povos indígenas atuais ainda sofrem diversos ataques. Diante disso, deve-se analisar a influência do avanço da agroindústria e da atuação de grupos missionários na vida desses indivíduos.
O avanço da agroindústria no norte do Brasil é uma ameaça aos nativos da região, visto que 70% das reservas indígenas localizam-se na Amazônia. De acordo com o portal de notícias “G1”, houve um aumento de 135% nas denúncias de invasões de terras demarcadas no ano de 2020. Um fator que auxilia a omissão governamental frente à conjuntura atual, é que muitos empresários desse ramo de negócio possuem grande representatividade no Congresso Nacional. Tal realidade preocupa, pois, além do desmatamento promovido na floresta amazônica com o avanço da fronteira agrícola, as populações indígenas da região sofrem constantes ataques violentos na disputa por suas terras, sendo, portanto, intolerável o que vem ocorrendo.
Ademais, a atuação de grupos missionários no interior da Amazônia, com o objetivo de converter os nativos ao cristianismo, coloca em risco a autonomia desses indivíduos. Isto é um fato, segundo o jornal “Intercept Brasil”, instituições como a “Missão Nova Tribo Brasil- MNTB” são denunciadas pelo Ministério Público desde 2015 por atuar ilegalmente nessas regiões. O mais impactante é que alguns representantes dessas entidades fazem parte da “FUNAI”. Tal cenário de negligência é abominável, pois reflete práticas coloniais, - como as “missões jesuítas” - que viam os índios como indivíduos inferiores e bárbaros, os quais deveriam ser convertidos e integrados na sociedade a fim de não viverem suas diversidades culturais, tidas como “impuras”. (faltou espaço p/ o parágrafo) Fica clara, portanto, a necessidade de uma maior atuação do Estado na proteção dos direitos da população indígena. Nesse sentido é fundamental maior rigidez nas regras de punição e nas multas aplicadas à quem às desrespeita. Além disso, o Governo Federal deve criar uma força-tarefa constituída de guardas nacionais do IBAMA; representantes da FUNAI; ONGS de proteção aos índios e o próprio exército brasileiro, com o objetivo de fiscalizar de forma mais eficiente as fronteiras de demarcação das reservas indígenas. Assim, será possível viver em uma sociedade mais justa, que respeite e valorize seus nativos que tanto sofreram durante a história do Brasil