A questão indígena no Brasil contemporâneo
Enviada em 11/12/2020
No Brasil Colônia diversas tribos indígenas foram submetidas a catequeses pelos padres jesuítas, objetivando socializar esses indivíduos e integra-los à comunidade hegemônica e cristã da época. Entretanto, na realidade tais atitudes acarretaram na alienação desses povos para com sua cultura, contribuindo de forma proeminente para o contínuo genocídio cultural da população nativa. Dado que esa supressão permanece uma constante na contemporaneidade, destacam-se dois principais fatores que contribuem para tal problemática, a visão etnocêntrica de superioridade cultural e os interesses econômicos de progresso.
Em primeiro lugar, é preciso confrontar a visão imperialista de que existem civilizações mais avançadas, dado que esta perspectiva é catalisadora de discriminações e políticas nocivas a grupos minoritários e marginalizados. Um dos primeiros a criticar esse panorama foi o antropólogo Claude Lévi-Strauss, que ao estudar diversas culturas observou que existiam características análogas e irredutíveis a todas elas, demonstrando a inexistência de uma hierarquia entre as sociedades. Entretanto, tais percepções se encontram necessárias até hoje, na medida em que ainda são observados o aviltamento de direitos dos povos indígenas, sustentado por visões preconceituosas a respeito de sua cultura.
Além disso, outro fator que corrobora para o processo violento de erradicação gradual da cultura indigenista no Brasil, está relacionado ao modelo predatório do agronegócio brasileiro. Pois, apesar da garantia legal da demarcação das terras para estes povos pelo artigo 231 da Constituição Federal, são constantes os conflitos políticos e extrajudiciais que visam limitar tais direitos. Sendo que, tais tensões têm como pretensão a perpetuação desse território para ideais equivocados de progresso por parte de grandes latifundiários e uma parcela do corpo político. Ademais, estas terras têm papel fundamental na perpetuação de uma identidade cultural para as diversas tribos autóctones, e bem como defendia Gilberto Freyre, para a diversidade de toda população brasileira.
Em resumo, é possível observar que tal panorama é decorrente do desconhecimento relativo à importância destas tribos para a identidade cultural nacional. Dessa forma, urge que o Ministério da Educação, por meio de uma adequação da grade curricular, torne o ensino da história indígena no Brasil parte essencial da formação estudantil, de maneira a criar cidadãos mais conscientes. Paralelamente, cabe a Funai (Fundação Nacional do Índio), por meio da atribuição de leis mais severas, mitigar o desrespeito às terras delimitadas pela Carta Magna aos grupos nativos. Só assim, será possível impedir que tal violência, iniciada no período colonial, se perpetue indiscriminadamente, permitindo uma sociedade brasileira mais rica e heterogênea.