A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 21/12/2020

Na ascensão da República Brasileira, no século XIX, o índio foi exaltado como a real representação brasileira por meio do Romantismo. Paradoxalmente, hoje, essa população é vista com inferioridade e sendo adjetivada de selvagem e atrasada, graças a estereótipos criados pelos colonizadores. Nesse sentido, rever a situação social e cultural dessas pessoas é fundamental para avaliar seus efeitos na contemporaneidade.

Em primeiro lugar, é válido avaliar a contribuição histórica para a validade indígena. Com a colonização, no século XVI, os portugueses julgaram a cultura nativa como retrógrada, por conta da pouca vestimenta que estes usavam, chegando a demonizá-la. Com isso, os Jesuítas começaram a impor sua cultura europeia, por meio da catequização desses povos e, assim, várias culturas foram deixadas de lado e, futuramente, extintas. Dessa forma, após 500 anos, a visão eurocêntrica é, ainda, muito presente na população brasileira, prova disso é o descaso que ainda há na desvalorização do papel indígena na formação do Brasil.

Ademais, é importante destacar, também, a luta dos indígenas para defender seu território demarcado. Segundo a reportagem do programa Profissão Repórter, o número de invasões a terras indígenas está aumentando a cada ano. Sob essa ótica, a desvalorização da cultura nacional, somada a uma busca incessante de lucros, faz várias empresas invadirem esses territórios em busca da exploração ilegal de minérios e quaisquer outros recursos valiosos que exista no local. Além disso, os seguidos casos de alagamentos de vastas áreas para a construção de hidrelétricas, como a do Rio Tapajós, tem danificado e destruído uma boa parte da fauna e da área de povos indígenas. Desse modo, é inadmissível que o índio seja expulso da sua própria terra, como afirma a FUNAI, ao ponto de ter que procurar abrigo na zona urbana das cidades.

Diante dos fatos supracitados, faz-se necessário que o Estado, por meio do auxílio da FUNAI, deva intensificar a fiscalização das áreas demarcadas, por meio da construção de pontos de fiscalização e pela aquisição de drones, a fim de protegê-las de invasões, mas também, contribuir para a manutenção da cultura indígena para que os índios se sintam importantes e, também, para ampliar o conhecimento da população brasileira sobre a importância desses povos nativos na construção do Brasil. Assim, haverá tanto uma proteção garantida pelo Estado, mas também um maior respeito por parte das próximas gerações sobre o papel do índio na sociedade brasileira atual.