A questão indígena no Brasil contemporâneo
Enviada em 04/01/2021
De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, cabe ao Estado fornecer condições mínimas de dignidade para todos os cidadãos, propiciando igualdade e dignidade. No entanto, na realidade brasileira atual, nota-se o descaso com a população indígena, tal parcela da sociedade acaba por ser excluída e desprezada. Nesse sentido, emerge uma problemática delicada, em virtude da carência de políticas públicas e por déficits na educação.
Sob essa lógica, deve-se atentar, em primeiro lugar, para a ausência governamental como contribuinte para a persistência da desvalorização. De acordo com John Locke, o Estado deve servir aos homens e não os homens ao Estado. Todavia, no contexto brasileiro do século XXI, percebe-se que a não demarcação do território indígena acarreta impasses no gozo da plena integridade dos indígenas à medida que o espaço dedicado à reprodução física e cultural fica incerto. Dessa forma, com enfraquecimento legislativo, torna-se evidente o descaso com essa parcela populacional.
Além disso, métodos educacionais insatisfatórios dificultam o acesso ao conhecimento da cultura indígena, perpetuando a problemática dos índios no Brasil contemporâneo. A respeito disso, Kant afirma que o ser humano é aquilo que a educação faz dele. Entretanto, observa-se, no ambiente colegial, a abstenção de aulas, debates e programas voltados a valorização e respeito aos indígenas. Embora haja uma lei que inclua matérias desse gênero no currículo escolar o silenciamento dessa temática é notório, sendo essa pauta ainda muito escassa. Dessa maneira, instaura-se um cenário que vigora a irrelevância, fortalecendo o desinteresse pela cultura indigenista.
Portanto, é necessário que medidas sejam adotadas para que se tenha a solução da questão indígena no Brasil contemporâneo. Decerto, escolas em parcerias com as prefeituras, devem promover rodas de conversa, com a presença de professores e moradores de comunidades indígenas, afim de democratizar e disseminar aspectos culturais desse povo. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse e não devem ser restritos aos discentes, mas abertos à comunidade e com transmissão em redes sociais de grande acesso, como Facebook e Twitter, para que se entenda a relevância desse povo para o País. Dessa maneira, possivelmente, os aspectos da DUDH poderão ser verificados na realidade da população indígena na sociedade brasileira atual.