A questão indígena no Brasil contemporâneo
Enviada em 06/01/2021
Os relatos sobre os índios sempre são feitos de forma idealizada, mesmo desde o início da colonização, e diversas obras demonstram essa idealização, como “Iracema”, de José de Alencar, que aborda o encontro entre índios e europeus dessa maneira idealizada. Porém, essa não é e nem nunca foi a realidade da questão índigena no Brasil. Nesse sentido, é necessário debater sobre a situação de negligência em que se encontram os índios brasileiros. Logo, é preciso analisar o muro criado entre índios e o restante da população e os seus resultados.
Deve-se pontuar, de início, que a relação conflituosa entre colonos e índios estabeleceram muros que prejudicam a população índigena até hoje. Nesse viés, a segregação social evidenciada como característica da sociedade brasileira por Sérgio Buarque de Holanda, no livro “Raízes do Brasil”, se faz presente até os dias de hoje, pela existência de uma hierarquia em que o restante da população está acima do povo índigena, o que resulta no distanciamento dos índios aos seus direitos inalienáveis garantidos pela Constituição.
Consequentemente, vários são os problemas trazidos por essa separação social. Sobre isso, segundo o Ministério da Saúde, a taxa de suícidio entre os índigenas é três vezes maior do que a média do país. Além disso, de acordo com o Censo Escolar, em 2015, apenas 53,5% das escolas indígenas tinham material didático especializado. Logo, é evidente que os maiores prejudicados por esse muro criado são os índios, que acabam tendo pouco acesso aos profissionais de saúde e recursos para o desenvolvimento da educação, tornando-os mais susceptíves aos problemas de saúde e os decorrentes da falta de ensino.
Portanto, conclui-se que a negligente situação dos índios no Brasil contemporâneo precisa ser resolvida. Sendo assim, cabe às instituições de ensino, por meio de abordagens claras e realistas sobre a população índigena, promover a ruptura da segregação social existente, com o intuito de aproximar os índios do restante da sociedade. Ademais, é necessário que o Estado, por meio da criação de políticas públicas, garanta o acesso dos índios aos seus direitos essenciais, como saúde e educação, de forma satisfatória, a fim de assegurar a saúde e o desenvolvimento do povo índigena. Assim, espera-se que o Brasil atinja uma lógica de inclusão e rompa com a de descriminação.