A questão indígena no Brasil contemporâneo
Enviada em 22/04/2021
No livro “O triste fim de Policarpo Quaresma”, o protagonista escreve uma carta solicitando que a língua indígena Tupi seja reconhecida como idioma oficial nacional, alegando que os índios são os verdadeiros descobridores do Brasil. Fora da literatura, no entanto, os índios enfrentam um grave problema social pela falta de reconhecimento como cidadãos, seja pela negligência do poder executivo, seja pelos interesses capitalistas.
Diante desse cenário, é válido enfatizar que o Governo é um dos principais influenciadores desse impasse pela sua incapacidade de garantir os direitos desse grupo. Segundo o filósofo Locke, essa instituição administrativa deve proteger e expandir os direitos de todos os cidadãos. Contudo, percebe-se que essa teoria é constatada apenas na teoria a partir do momento em que os indígenas não possuem acesso a saúde e a educação como a população dos centros urbanos. Nesse sentido, com a falta desses direitos básicos em suas regiões, essas tribos precisam se deslocar por vários quilômetros, muitas vezes andando, para terem acesso as instituições de ensino e de cuidados médicos.
Além disso, é cabível enfatizar que as empresas e indústrias são causadoras dessa problemática, pois seus interesses capitalistas não levam em consideração o respeito á cultura e memória dos índios brasileiros. De acordo com o sociólogo Bourdieu, a sociedade possui padrões que são impostos, naturalizados e ,posteriormente, reproduzidos. Nesse contexto, o avanço da agropecuária e do desmatamento ameaçam as terras indígenas e é análogo ao interesse que os portugueses tiveram no período da colonização com a exploração das riquezas coloniais e o proveito dos conhecimentos regionais desses indivíduos para usá-los como mão de obra. Por fim, esses indivíduos, hodiernamente, continuam escravos do desenvolvimento social brasileiro da mesma forma como ocorria em 1500. Portanto, ações são necessárias para a ampliação dos direitos à esses cidadãos. Cabe, então, as ONGs como Green Peace e MSF, em parceria com o MEC, proteger as terras e a memória cultural desses povos. Garantir, também, atendimento médico e educação básica, por meio de professores, médicos e enfermeiros qualificados. Esses profissionais devem cuidar desses indivíduos com os medicamentos e materiais escolares fornecidos pelo Governo gratuitamente em centros de atendimento construídos com esse intuito. Ademais, o Green Peace deve fornecer fiscalização intensa sob as invasões à terras indígenas. Dessa forma, contribuindo para levar educação, saúde e proteção ao espaço físico e garantir a inclusão social dos índios brasileiros.