A questão indígena no Brasil contemporâneo
Enviada em 29/04/2021
Segundo o Antropólogo Darcy Ribeiro, a população indígena é um grupo minoritário que sofre com a desigualdade e morte do seu povo desde o “achamento do Brasil”. No atual contexto, com o pensamento lucrativista neoliberal dos representantes governamentais e em meio a uma pandemia, observa-se uma exclusão ainda maior desses indíviduos. Nesse sentido, torna-se importante discutir a omissão do governo na crise sanitária corrente e as desigualdades enfrentadas por essa população.
Cabe destacar, a priori, que, no início da pandemia do coronavírus, o governo apresentou diversas falhas no desenvolvimento de políticas assistencialistas com o intuito de proteger esse grupo. Isso pode ser exemplificado, por meio da Associação dos Povos indígenas Brasileiros (APIB), a qual afirma que o governo cancelou o envio de cestas básicas, além de não reforçar a proteção nos territórios indígenas (TI) nesse período. Tais erros culminaram em um genocídio indígena, pois baseado na APIB, mais de 53 mil indivíduos desse grupo foram contaminados e mil morreram. Além disso, a principal causa atribuída foi a falta de segurança nos TI que contribuiu para a contaminação e aumento de conflitos, baseado no Instituto Socioambiental. Desse modo, fica evidente não só a falta de políticas de proteção para o grupo, mas também a indiferença governamental nesse contexto.
Somado a isso, a desigualdade social dos povos indígenas sempre esteve presente e o coronavírus só evidenciou a problemática. Isso pode ser observado conforme dados do IBGE, pois 20% da população indígena vive na região Amazônica, entretanto, o território é o que possui menor relação de leitos por indivíduo historicamente. Ou seja, essa região no país é uma das mais susceptíveis a apresentar colapso e problemas no sistema de saúde. Para especialistas da Fiocruz, essa desigualdade de distribuição de leitos foi um dos fatores que auxiliou tanto para a crise sanitária na região nos últimos meses com a COVID-19, como também para o surgimento de endemias e epidemias na Amazônia, por exemplo, a endemia da malária. Dessa forma, é possível afirmar que a desigualdade para esse grupo é nítida e histórica, além de que tais deficiências ferem direitos presentes na Constituição, como o direito à saude e à vida.
Torna-se claro, portanto, que a população indígena é um grupo minoritário que sofre com a desigualdade de acesso à direitos e também com a escassez de representatividade política. Em vista disso, é fundamental que o Ministério da Saúde crie programas que financiem o desenvolvimento médico-hospitalar da região Amazônica. Para isso, investir nas universidades de medicina, com a abertura de mais vagas, além de criar hospitais e, consequentemente, aumentar o número de leitos. Para, desse jeito, reduzir a desigualdade e morte dos povos indígenas, como afirma Darcy Ribeiro.