A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 11/05/2021

Segundo Nick Couldry, existem inúmeras vozes que, por serem minorias, acabam sendo postas à inexistência. Nesse contexto, a realidade brasileira encaixa-se nesse ponto de vista, uma vez que não é atribuída a importância necessária à valorização da população indígena. Portanto, devem ser analisadas as falhas educacionais e a indiferença social como potencializadoras da questão.

Nesse sentido, é válido pontuar a ineficácia de instituições de ensino em relação à problemática. Sob esse viés, de acordo com Rubem Alves, “há escolas que são asas e há escolas que são gaiolas”, ou seja, tais meios não possuem eficiência em todos os entraves sociais. Dessa forma, ao notar a falta de medidas escolares no que tange a conscientização dos estudantes sobre a valorização da cultura indígena - como a promoção de feiras culturais, que promovem a aproximação entre os costumes de diversos povos -, percebe-se que os colégios brasileiros, nesse cenário, configuram-se como gaiolas que aprisionam os indivíduos na ignorância.

Outrossim, deve-se citar a negligência social como agravante dessa circunstância. Nessa perspectiva, devido a perda de visibilidade, atestada por Nick Couldry, autoridades sentem-se livres para dar continuidade a sua inércia (Lei de Newton que afirma o permanecimento de um corpo em movimento constante até que um agente externo interfira-no) na falta de atuação - expressa por deficiências no investimento de preservação de patrimônios culturais indígenas, por exemplo. Isso ocorre porque, durante esse movimento de inércia, não há interferência exterior - representada pelos apoiadores da causa dos índios.

Dessa forma, devem ser tomadas medidas capazes de mitigar a falta de consciência sobre a importância indígena. Para isso, cabe ao Ministério da Educação promover, em escolas públicas, campanhas interativas - que, por fugirem do cotidiano, atraem efetivamente os alunos -, por meio de cartazes e quadros digitais, a fim de incentivar conscientização dos indivíduos em idade escolar. Com isso, pode-se imaginar uma sociedade mais harmônica, em que há menor inércia atuacional.