A questão indígena no Brasil contemporâneo
Enviada em 21/05/2021
No livro “Iracema” o autor José de Alencar registra uma civilização indígena de maneira idealizada, retratando os povos como passivos e sensuais. Apesar de ser uma ficção, essa história expõe uma perspectiva estereotipada da sociedade brasileira em relação aos indígenas. Dessa forma, não há dúvidas de que os costumes indígenas não são respeitados no Brasil. Pode-se afirmar, então, que esse cenário é o resultado não só da governantes, mas também da falta de conhecimento dos cidadãos brasileiros sobre os povos nativos. Em primeiro lugar, é válido ressaltar que o Estado falha em garantir os direitos indígenas. Nessa lógica, o documentário “Guerras do Brasil” relata como constantes invasões que as terras locais contato na contemporaneidade. Isso significa que embora a Constituição Federal assegure a posse de terras, esse direito na prática não é estimulado. Inclusive, as pesquisas da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) afirmam que a maioria das terras indígenas ainda não foram regularizadas pelo Governo Federal, e isso é um fator que facilita a invasão das terras. Portanto, não é aceitável que em um Estado democrático, ainda haja o ferimento de um direito previsto constitucionalmente. Cabe saliente, outrossim, que a cultura indígena é desvalorizada em razão do epistemicídio, ou seja, a morte do conhecimento. Nesse sentido, o professor Boaventura de Sousa disserta na obra “Epistemologias do Sul” - na qual “sul” é uma metáfora e representa como culturas marginalizadas - que os povos que não detêm as características do europeu colonizador, possui seus conhecimentos e obras inferiorizados. Nesse viés, a cultura indígena é pouco conhecida porque ela foi historicamente balizada e minimizada por ser considerada menos importante que a cultura europeia. Logo, é essencial barrar a perpetuação dessa ideia, senão a visão do indígena demostrado no livro “Iracema” continuará presente no imaginário brasileiro. Dessarte, medidas devem ser refinados para alterar o quadro atual. Todavia, para isso ocorrer é necessário que o Ministério da Educação em parceria com o Poder Executivo, crie por meio das verbas governamentais da União, museu que abordem a história indígena. Esses museus devem ser intitulados de “Cultura Indígena Presente”, e devem ser construídos em cada Estado brasileiro e devem possuir visitação virtual, além da entrada gratuita. Essa ação deve ser realizada com o objetivo de conscientizar uma população brasileira sobre a história indígena.