A questão indígena no Brasil contemporâneo
Enviada em 03/06/2021
Na carta escrita por Pero Vaz de Caminha, que descreve o recém descoberto território brasileiro, os povos indígenas nativos são tratados com a visão etnocêntrica de indivíduos a serem civilizados. Paralelo a isso, na atual realidade brasileira, mesmo após décadas de lutas, os direitos constitucionais dos indígenas ainda são violados pelo Estado brasileiro e o indígena não é devidamente reconhecida pela sociedade. Nesse sentido, percebe-se um grave problema de uma visão estereotipada em relação aos índios - que possui uma raiz histórica -além de interesses econômicos sobre suas terras, aliados a negligência governamental.
Em primeiro lugar, vale ressaltar a visão estereotipada sobre os indígenas e a exclusão social vivenciada por eles, o que remonta o período de colonização brasileira onde os indígenas sofreram com a visão etnocêntrica europeia e foram desconsiderados como cidadãos brasileiros além de terem suas identidades suprimidas. Tal fato evidencia-se com a história oficial, ensinada nas escolas, que se refere ao “descobrimento” do Brasil. Desse modo, é fácil perceber que o preconceito e estereótipos criados pelos colonizadores contribuem até hoje para a exclusão e invisibilidade desse grupo.
Ademais, a negligencia do Estado em relação a demarcação das terras indígenas, movidos pelos interesses das elites do agronegócio são uma ameaça a cultura das tribos. No livro “Ideias para adiar o fim do mundo” do intelectual indígena Ailton Krenak é mostrado a importância da conexão do indivíduo com o espaço. Logo, observa-se a importância dessa demarcação tanto para a sobrevivência física dos povos tanto quanto para a manutenção de seus costumes e de sua cultura.
Assim, fica evidente a importância do Estado para que o indígena tenha espaço na sociedade. Nesse âmbito, cabe ao MEC e da Funai, o ensino nas escolas de práticas lúdicas que busquem descontruir a estereótipo de inferioridade dos indígenas, com a inserção na grade curricular de um ensino mais aprofundado da história dos povos originários do país, além de ministração de palestras feitas pelos próprios povos nativos. Busca-se, assim, diminuir os preconceitos para com esses povos e dar mais voz a eles na sociedade.