A questão indígena no Brasil contemporâneo
Enviada em 29/06/2021
Com a colonização portuguesa e a utilização dos estilos literários europeus para representar o novo território, a vida e os costumes dos indígenas também foi narrado pelo colonizador. Entretanto, essa visão não fidedigna, preconceituosa e eurocentrista ainda reverbera no imaginário popular brasileiro, o que apenas perpetua a marginalização dessas pessoas. Então, é necessário que os territórios indígenas deixem de ser ameaçados e que as vozes dessa população sejam mais disseminadas.
Diante disso, mesmo com o avanço da sociedade contemporânea em respeitar as mais diversas identidades, os povos originários ainda enfrentam desafios. Como na discussão do PL 490/2007, o qual prevê que as terras indígenas são aquelas que eles tinham posse na promulgação da Constituição de 1988. Dessa forma, os territórios dessas populações estão mais vulneráveis, pois será necessário que a posse seja comprovada, diferentemente do que já estava acontecendo. Ademais, nessas terras, que não poderão ser ampliadas, o garimpo será permitido. Assim, ao compartilhar esse espaço, a violência de garimpeiros contra indígenas será mais constante, isso pode resultar na extinção de povos e, consequentemente, as suas ricas culturas. A fim de preservar essas comunidades, é preciso que elas sejam mais respeitadas e reconhecidas.
Além disso, a vasta coleção de obras que retratam o indígena como condizente com a colonização e como “Bom Selagem” durante o Romantismo contribuiu para que essa visão equivocada dos povos originários fosse enraizada e cada vez mais difícil de ser abandonada. Na Teoria da Voz, o sociólogo Nick Couldry explica que a falta de representatividade condena a pessoa à inexistência e permita que a desigualdade perpetue. Porém, essa representatividade precisa ser capaz de ser similar a realidade. Por isso, com os meios de comunicações contemporâneos, os indígenas conseguem com mais facilidade compartilhar a sua cultura, caso desejem, e também protagonizarem as suas próprias histórias na mídia. Enfim, o papel mais ativo deles na literatura e produção de conteúdo é extremamente benéfico para a questão indígena na atualidade.
Portanto, a escola deve incentivar os seus alunos a lerem livros escritos pelos nativos americanos, por meio da comparação, durante as aulas de literatura, das representações distintas eles desenvollverão o senso crítico. A partir desse contraste entre narrativas, os estudantes entenderão melhor a história e os desafios que esses povos enfrentam até hoje, ainda mais, eles aprenderão a buscar relatos dos grupos envolvidos antes de defender um ponto de vista a respeito de uma vivência que não é deles. Por fim, esses cidadãos serão mais responsáveis ao falarem sobre questões indígenas com outras pessoas e votarão em candidatos que também buscam defender os direitos de toda a população.