A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 01/07/2021

O livro “Iracema”, de José de Alencar, narra a lenda do estado do Ceará, a qual envolve partes indígenas e portuguesas, que termina com o nascimento do primeiro cearense. Fora da ficção, a população nativa do país enfrenta desafios diários, frutos de preconceitos, os quais comprovam que a guerra racial do Brasil pré-colonial não é exclusiva do passado. Nesse sentido, a questão indígena brasileira, configurada pela integração inefetiva do índio e pelo preconceito, merece enfrentamento.                Primeiramente, é válido salientar a ineficácia governamental na integração do indígena na sociedade. Segundo a Constituição de 1988, é direito dos cidadãos a preservação cultural e a segurança social. Apesar disso, a dizimação dos povos indígenas, recorrente desde os princípios coloniais, refletem em como a população indígena nunca foi integrada devidamente. Acerca disso, segundo dados da Funai, em 2019, sete lideranças indígenas foram assassinadas em conflitos de terras, o que traduz a ineficácia das políticas públicas na garantia da preservação desses cidadãos, proporcionando um problemático cenário de insegurança e vulnerabilidade para o bem-estar indígena.

Além disso, vale entender como a discriminação sociocultural intensifica os desafios dos povos indígenas no Brasil. Isso porque as diferenças culturais desses grupos, em comparação com os modelos europeus consolidados durante todo o processo de colonização, associadas à falta de conhecimento, proporciona estranhamento e preconceitos voltados aos processos culturais desses povos. Dessa forma, a análise de produção capitalista intrínseca ao senso comum desses modelos, a qual, segundo o pensamento marxista, considera infrutífero aquilo que não contribui com capital, entende que muitos ritos praticados pelos indígenas são improdutivos para o país.

Portanto, medidas são necessárias para a garantia do bem-estar da coletividade. Para tanto, cabe ao Governo, em associação com a Funai, promover mecanismos de defesa e aprendizagem geral sobre os povos nativos, por meio do aprofundamento didático, nas escolas, que afirme a importância e valorização dos indígenas, como também a promoção de legislações efetivas que certifiquem a justa demarcação de terra e políticas favorecedoras. Por fim, tais mudanças buscam assegurar a integração efetiva desses povos pioneiros, assim como consagrado em “Iracema”, à sociedade.