A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 05/09/2021

No séculos XVIII, a geração romântica indianista foi responsável por valorizar, na literatura, a verdadeira essência do povo brasileiro. Entretanto, é notório que os valores nacionalistas, os quais são expostos no Romantismo permaneceu apenas nas obras literárias, inserindo, na contemporaneidade,  uma negligência aos povos indígenas e aos seus interesses, o que torna-se necessário desconstruir o etnocentrismo e o desrespeito por meio do próprio Estado.

Em primeiro plano, torna-se necessário de forma urgente a descontrução de estereótipos criados sobre os indígenas. Dessa maneira, a sociologia define etnocentrismo como uma visão preconceituosa e unilateral formada sobre outros povos, culturas e etnias, tal como ocorreu entre os costumes europeus - dominante- e os indígenas - desvalorizados. Assim, ocorre que o aspecto etnocêntrico descrito pela sociologia ainda se mostra pesente no Brasil, uma vez que as escolas reduzem a diversidade indígena apenas em figuras da época do descobrimento, e os indíviduos associam essa questão apenas a figura folclórica de índio. Por certo, enquanto essa questão for tratada como folclore, essa minoria étnica permanecerá negligenciada.

Ademais, o Estado deve considerar os índios como sujeitos de direitos. Nesse contexto, o Poder Legislativo, passou a discutir a PEC 215 em que os parlamentares da bancada ruralista tem o controle da demarcação de territórios indígenas, ou seja podem proibir a expansão de áreas já existentes. Isso enfraquece a manutenção da língua e cultura dos nativos , o que fragiliza essa vulnerável parcela da população. Por conseguinte, é contraditório que as autoridades sejam escolhidas pelo povo, mas negligenciem uma das mais importantes garantias daqueles que as elegeram: a terra.

Em suma, é nessário que os interesses da população indígena sejam garantidos no Brasil. Portanto, os indivíduos devem combater, incessantemente, a visão estereotipada de índio, por meio de discussões nas mídias sociais, a fim de disseminar a ideia de que a questão indígena não é parte do folclore e sim da cultura brasileira. Além disso, o Ministério Público deve defender as terras demarcadas, por meio dos processos judiciais pertinentes, como Ação Civil Pública, para que diferente da Geração Indianista, os direitos dessa minoria não seja apenas ficção.