A questão indígena no Brasil contemporâneo
Enviada em 08/11/2021
Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu, em suas obras uma “teologia do traste”, cuja característica principal reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Sob a ótica barrosiana, faz-se preciso, portanto, valorizar a questão indígena no Brasil contemporâneo. Nesse sentido, a fim de dissertar e argumentar sobre essa temática, é importante analisar a negligência estatal e a educação brasileira.
Mormente, deve-se salientar a ausência de medidas governamentais para proteger as terras indígenas. Nessa conjuntura, Otto Von Bismarck, estadista mais importante da Alemanha do século XIX, afirmou que o Estado deve garantir o bem-estar social da população. Sob esse viés, na medida em que existem povos indígenas vivendo sob o risco de perderem seus territórios e consequentemente suas culturas e tradições, observa-se, nesse ponto, a falha da função do poder público, o que é evidente no país.
Ademais, é fundamental apontar que uma grande parcela da população se mostra alienada sobre a preservação do cultura indígena brasileira. De acordo com o musicólogo Vladimir Jankélévitch, em seu livro entitulado “Paradoxo da moral”, o homem moderno carrega uma cegueira ética. Similarmente, os cidadãos não enxergam que o índio faz parte do patrimônio cultural brasileiro e carece de proteção e respeito. Essa situação ocorre porque a população assume uma postura individualista e não se movimenta em prol de mudar essa condição. Desse modo, é inadimissível que esse cenário continue a perdurar.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para atenuar esse entrave. Sendo assim, cabe ao Ministério da Educação promover uma série de palestras em escolas, ministradas por especialistas no assunto, que tenham alunos do ensino fundamental e médio como público-alvo. Essa ação deve ser compartilhada na rede social do Ministério em formato de “Live”, com a finalidade de trazer mais clareza sobre a importância de proteger a vida, hábitos, costumes e habitat indígena, atingindo um público maior. Assim, torna-se possível a contrução de uma sociedade permeada pela incorporação dos elementos elencados na Magna Carta.