A questão indígena no Brasil contemporâneo
Enviada em 16/09/2021
De acordo com o pensamento da filósofa Hannah Arendt, quando uma atitude agressiva ocorre constantemente, param de vê-la como errada. Analogamente, a pauta indígena, de aspecto cíclico colonial, acompanhado da violência e desrespeito em diversos âmbitos, deixou de ter o impacto fundamental para garantir o direito de bem-estar desses. Assim, pode-se responsabilizar, principalmente, o preconceito que afeta diretamente a luta pelas reivindicações e o conflito de interesses nas bancadas federais.
Em primeiro lugar, é indispensável traçar a relação entre a negligência do suporte às lutas indígenas e o preconceito, reforçado por estereótipos arcaicos, mas perpetuados até os dias de hoje. Ao tratar da cultura indígena somente no dia 19 de abril e de uma maneira extremamente tipificada, penas e listras no rosto, contribui para uma visão dos nativos como “primitivos” e perpetua mitos como preguiçosos e atrasados. Como se pode expor com o ocorrido no interior no Mato Grosso, em meio a pandemia, um áudio repercutido, dentro da rede social “WhatsApp”, caracterizando-os como povo sem cultura, sem religião e sequer serem “gente”. Então, é necessária a desconstrução para a evolução nessa pauta.
Ademais, em segundo lugar, a incoerência, de cunho capitalista, entre a demarcação das terras indígenas e os interesses ruralistas estão intimamente ligados a precariedade dos direitos garantidos a essas populações. Sabe-se que a dinâmica capitalista é negligente a própria espécie bem como a biosfera, dessa forma, os incentivos são explorar e conquistar independente de tudo. Logo, ao manter políticos que não atuam em prol da preservação indígena e cultural brasileira, gera cada vez mais ataques à esses, como a PEC 215, que deseja passar a responsabilidade das demarcações do Poder Executivo para o Legislativo, tornando possível reduzir o limite das terras e conquistando os interesses da bancada. Por isso, o corpo social deve contribuir com as reivindicações a favor da preservação da cultura pioneira do Brasil, bem como suas necessidades básicas.
Infere-se, portanto, que a condição indígena é um indicador que a atual sociedade é impassível a própria história. Em síntese, para que os direitos sejam assegurados aos povos indígenas no Brasil, urge que o Ministério da Educação, em união as escolas, contribua para a desconstrução dos preconceitos enraizados por meio de aulas que abordem as significativas contribuições e importância desses sem estereótipos -contanto também com o oferecimento do contato com esses povos, como palestras e convites de representantes com esse lugar de fala aos alunos-. Outrossim, é de extrema importância que a nação atue em prol dela mesma por meio da seleção mais consciente dos representantes federais, a fim de garantir bem-estar de todos, sem conflitos de interesses pessoais