A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 17/09/2021

Na busca por uma identidade nacional, a figura do índio foi ressignificada conforme a necessidade; de heroí do romantismo a sujeito preguiçoso, sem valor moral e ético, do modernismo, o indígena é lembrado como símbolo lúdico no imaginário popular, e como entrave para a expansão da fronteira agrícola pelos ruralistas. Nesse contexto, a questão do indígena no Brasil moderno revela não só a falta de informação popular sobre a vasta cultura nativa, mas também a marginalização e o preconceito sofrido, que abrem brechas para a perpetuação da aculturação.

Ademais, de acordo com os livros de história, a presença indígena é relatada de 1500 a 1600; depois de tais datas, seu aparecimento na história brasileira é ínfimo, o que gera a sensação de que a luta, os abusos sofridos e a perda de suas terras tenham se encerrado. Dessa maneira, fica evidente a falta de conhecimento sobre a diversidade do povo indígena, bem como seu rumo na história brasileira, e sua influência na língua, na culinária e nos saberes; Logo, a distância entre índio e brasileiro gera o preconceito, o qual abre espaço para a destruição da cultura indígena.

Em adição, segundo o levantamento feito pela plataforma Caci, que mapeia assassinatos indígenas violentos, nas últimas décadas o número de mortes chegaram a 1.071 nas terras demarcadas pelo governo. Por conseguinte, fica claro a ligação das fatalidades com a expansão da fronteira agopecuária; ação criminosa que ofende os direitos básicos assegurados a qualquer cidadão brasileiro. Dessa maneira, a querela indígena se perpetua, ao passo que sua existência física e simbólica desaparece.

Portanto, a fim de reduzir a negligência e o preconceito, é necessario conhecer a fundo sua cultura, valores e história. Assim sendo, é papel do Ministério da Educação, orgão responsável pelas diretrizes educacionais do país, tornar obrigatório o estudo sobre a população indígena. O estudo deve ser feito em todas as escolas públicas e privadas, da pré-escola ao 9° ano; para, assim, transformar a relação entre cidadão e indígena.