A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 10/10/2021

Durkheim defendia que a sociedade prevalece coercitivamente sobre o indivíduo, utilizando de leis invisíveis. Nesse sentido, uma sociedade construída por bases colonizadoras, em que os nativos, inadequadamente, eram considerados como um atraso social, construiu um estigma histórico social observado na contemporaneidade ao dar continuidade a um ciclo de opressão e violação. Dessa forma, destaca-se a necessidade do debate sobre os direitos indígenas.

Em primeiro lugar, é importante analisar um fator histórico. A fim de colonizar as terras ocidentais, os portugueses deram início a um sistema de escravidão, intensamente violenta, aos povos que habitavam o local por julgarem aquela comunidade como incapaz e sem conhecimento. Esse processo refletiu em um estigma social em que até os dias de hoje os nativos são vistos com a mentalidade europeia da época expansionista, que era de desvalorização e superioridade. Desse modo, demonstra-se a necessidade da quebra de paradigmas, comandados por leis invisíveis, impostos a essa parcela da população.

Ademais, é cabível destacar o efeito do individualismo na sociedade. Segundo Bauman, sociólogo polonês, a modernidade é o momento em que a autonomia do homem ganha destaque frente a lutas sociais. Esse cenário é visível atualmente nas lutas indígenas, no qual os mesmos têm que ir à justiça para lutar por suas terras invadidas por grandes latifundiários exploradores, entretanto, infelizmente, os primeiros moradores do local acabam perdendo em tribunal. Assim, demonstrando uma desconsideração ao habitat indígena e uma irrelevância da voz desses indivíduos. Torna-se, portanto, evidente por meio de fatores sociais a urgência da valorização dessa comunidade. Nessa conjuntura, cabe à Fundação Nacional do Índio, responsável por proteger e promover os direitos dos povos indígenas, em parceria com o Ministério da Educação, executar, a partir de escolas, o estudo do lado nativo em que houve grande sabedoria e resistência contra a colônia, e não focar apenas no lado europeu, no qual os índios eram estagnados como inferiores. Também, é importante dar apoio e preferência aos indígenas que lutam por suas terras no tribunal, de modo que haja limites para a exploração latifundiária. Logo, essas mudanças irão construir indivíduos mais conscientes da história do país e uma estrutura mais justa para os indígenas.