A questão indígena no Brasil contemporâneo
Enviada em 26/10/2021
Segundo a filosofia aristotélica, nada se reduz ao ato senão por algo anterior já em ato. Nesse contexto, observa-se que, na conjuntura brasileira contemporânea, não há muita iniciativa para a mudança em relação à questão indígena no Brasil dificultando, assim, uma possível solução para tal problema e colocando em foco a exclusão dos índios na sociedade. Sendo assim, urge a ação do governo e um olhar mais compassivo da corporação para a questão indígena na sociedade brasileira.
Em primeiro plano, comumente assimila-se que os portugueses chegaram ao Brasil para desculturar e explorar os indígenas, como forma de opressão destes. Contudo, o livro “Impérios Coloniais” do professor de história Marcelo Andrade nos informa o contrário. Antes da chegada dos portugueses à América latina no século XVI o canibalismo era regra, assim como o infanticídio, o abandono dos idosos, os sacrifícios humanos, práticas contra a natureza e guerras constantes. Dessa forma, observa-se que pela preservação da cultura, muitos índios ainda sofrem em suas tribos com esses costumes, sem poder recorrer à ajuda, pois estes estão presos a elas por lei, como citada no regulamento n.º 6.001.
Ademais, evidencia-se que muitos índios querem o direito de viver em sociedade, e como muitos têm habilidades em agricultura, querem também poder empreender como agricultores normais. Segundo uma pesquisa realizada pela Gazeta do Povo, os índios já tomaram milhares de multas por várias causas, resultando em um total de 120 milhões de reais, sendo a principal delas o fato de que terras indígenas pertencem ao Estado e não podem, por lei, serem utilizadas para atividades agrícolas que descaracterizem uma fração que seja da fauna e da flora locais. À luz dessa perspectiva, os índios se veem reféns das próprias reservas, condenados a viver em condições precárias longe da civilização.
Tendo em vista os argumentos apresentados acima, cabe ao governo em parceria com o Ministério da Cultura criarem leis que permitam que os índios possam sair de sua tribo e viva em sociedade sem serem barrados por nenhuma legislação. Também, cabe ao Estado oferecer mais recursos para estes nas tribos, como necessidades sanitárias, melhor educação e possibilidades de terem suas próprias terras, para que deixem de viver em situações precárias. Ademais, o governo deve enviar profissionais semanalmente para fiscalizarem e evitarem que casos de infanticídios, abandono de idosos e sacrifícios huamanos aconteçam nas aldeias. Dessa maneira, como explica a filosofia aristotélica que para que algo aconteça ela já precisa estar acontecendo, ou seja, em ato, deixaremos de tratar o índio como monumento histórico e passaremos a tratar como verdadeiros cidadãos brasileiros.