A questão indígena no Brasil contemporâneo
Enviada em 15/11/2021
Com o advento da colonização portuguesa, a partir do século XVI, ocorreu o massacre e a extinção de muitos povos indígenas. Hoje, é possível perceber que, no Brasil, tal processo histórico culminou na desvalorização do índio e no rompimento de seus direitos, o que representa um problema que deve ser enfrentado de forma mais organizada pela sociedade. Nesse sentido, convém analisar a negligência governamental e a falta de conhecimento perante o assunto como os principais responsáveis pelo quadro.
Em primeiro lugar, é indubitável que o descaso do governo está entre as causas do impasse. Nesse horizonte, segundo o filósofo Thomas Hobbes, “É dever do governante assegurar o bem-estar de todos os cidadãos”. Esse pressuposto permite afirmar que, se o Estado não fizer políticas públicas que garantam a proteção física, econômica e cultural dos indígenas, esses povos continuarão sendo vítimas da aversão, da imposição cultural e da violência física e moral. À vista disso, é interessante ressaltar que, muitas vezes, o governo não cumpre o que está previsto na Constituição e, assim sendo, não promove a valorização das tradições e dos saberes desse corpo social e também não fiscaliza a demarcação de terras para o asseguramento de tais expressões. Dessa maneira, ocorre o preconceito e a discriminação contra os povos indígenas e, por conseguinte, seus direitos são violados e negados.
Outrossim, conforme Sócrates, “Os erros são consequência da ignorância humana”, logo, o desconhecimento, em relação às consequências dos problemas enfrentados pelos índios, contribui, diretamente, na problemática. Desse modo, é válido destacar que a escola, principal instituição de formação social e do pensamento crítico, não recebe incentivo governamental suficiente para abordar o assunto dentro da sala de aula e o resultado desse fato é a formação de jovens alienados aos problemas sociais. Por consequência, não observam e compreendem os ataques, os assassinatos e a extinção de línguas e culturas indígenas como um empecilho que deve ser analisado e debatido socialmente e, desse jeito, não lutam pelo respeito as crenças e diversidades desses grupos. Então, ocorre a invisibilidade das trajetórias e dos costumes desses povos tão diversificados.
Diante dos fatos mencionados, é necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para solucionar esse entrave. Posto isso, é dever do Ministério da Educação, por meio de incentivo e investimento escolar, aumentar a carga horária do aluno dentro da sala de aula. Deve-se, então, elaborar um plano que coloque em evidência a importância do debate sobre as questões indígenas, de modo que o primeiro passo seja colocar o problema nos livros didáticos, para o assunto ser devidamente estudado e, assim, aumentar a criticidade dos cidadãos perante o tema. Dessa forma, tem-se um país mais plural.