A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 04/12/2021

Conforme defendeu o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda em seu livro “Raízes do Brasil”, a história do encontro de etnias no território brasileiro foi marcada por conflitos e violência. Nesse contexto, os indígenas, por exemplo, foram subjugados e submetidos não apenas a uma nova cultura, como também a diferentes moldes de violência, situação essa que não mudou no cenário brasileiro contemporâneo. Nesse prisma, o preconceito oriundo da falta de informações e o conflito entre os povos abordados e as atividades extrativistas corroboram para fundamentar a problemática.

Dentre os inúmeros motivos que geram esses conflitos com os grupos indígenas brasileiros, existe o preconceito, fruto da ausência de uma instrução efetiva. Isso porque, como afirmou a escritora Helen Keller, “o resultado mais sublime da educação é a tolerância”, ou seja, entende-se que o ensino é a principal ferramenta social para diluir preconceitos existentes em uma sociedade. Dessa maneira, posto que o sistema de ensino não cumpre esse papel social para com a difusão das manifestações culturais das etnias dos povos nativos, os preconceitos e os estereótipos associados com essa população são solidificados e reproduzidos em formas mais ofensivas, como a agressão física. Nesse aspecto, não apenas a população violentada é afetada, mas também toda a sociedade brasileira que perde parte da sua cultura, visto que a identidade nacional é formada por inúmeras expressões culturais, assim como afirmou Sérgio Buarque de Holanda em sua obra “Raízes do Brasil”.

Ademais, é válido ressaltar o papel das atividades extrativistas, como fator para marginalização dos grupos nativos brasileiros. De maneira a estender essa lógica, é lícito mencionar o livro “Leviatã”, escrito pelo filósofo Thomas Hobbes, o qual constata que a natureza humana é pautada no individualismo e na autopreservação. Nessa conjuntura, essa constatação exemplifica a conduta histórica dos responsáveis pela exploração extrativista em ignorar e invadir os territórios das comunidades autóctones brasileiras com o intuito de aumentar a produção e a lucratividade. Dessa forma, não somente as populações nativas  perdem o seu território, sua cultura e sofrem agressões e perseguições, como também o meio ambiente perde parte da fauna e flora por conta do extrativismo, o que também representa uma perda para a nação brasileira.

Portanto, a fim de garantir os direitos das comunidades autóctones ao diminuir os preconceitos existentes, o Ministério da Educação, órgão federal responsável pela pauta educacional, deve promover, por meio de escolas, ONGs e universidades, campanhas socioeducativas que possam difundir as manifestações culturais dos aborígenes do Brasil e expor os abusos sofridos por essas populações. Ao seguir nessa linha, o ponto tratado seria atenuado.