A questão indígena no Brasil contemporâneo
Enviada em 05/03/2022
Em 1500, Portugal se apossou do território brasileiro sem considerar os direitos da população nativa que habitava o país. Essa ideia é fruto do imperialismo, em que uma nação domina a outra e impõe a sua cultura através da violência moral e física. A história é cíclica e ao se olhar o passado, percebe-se que tal complexo de superioridade étnica e dominação sociocultural ainda se perpetua por nossa realidade, através da violação da demarcação de terras indígenas.
Conforme o artigo 231 da Constituição Federal de 1988, os indígenas detêm sobre essas terras a posse permanente e o uso exclusivo das riquezas naturais. Em contrapartida, as explorações territoriais permanecem e estão diretamente relacionadas ao interesse ruralista que, de modo a avançar suas fronteiras agrícolas e obter maior lucro, ultrapassam os limites regionais, das regiões as quais, não somente fornecem abrigo e alimento, mas são o suporte da cultura e do estilo de vida das comunidades indígenas.
É de extrema importância compreender que a demarcação garante a proteção do meio ambiente e da biodiversidade ao evitar que tais locais sejam desmatados, pois, segundo o relatório feito pelo “World Resources Instute”, o desmatamento em terras indígenas chega a ser 11 vezes menor do que em outras áreas. Além disso, é fundamental para a manutenção do patrimônio cultural brasileiro ao permitir que os indígenas reproduzam suas tradições, seus saberes e expressões.
Essa dominação geográfica não se difere muito da agressiva colonização do Brasil em 1500, pois, ambas possuem como pretexto, a supremacia racial, e como consequência, a violação cultural. Portanto, faz-se necessária uma reparação histórica, através da reeducação da sociedade. Projetos escolares e mobilização midiática em redes sociais populares entre os jovens, elaborados preferencialmente, pela comunidade indígena, ensinando sobre a importância do seu povo para a história do Brasil, assim como o seu papel social atual, são iniciativas essenciais para que as futuras gerações encerrem esse ciclo de estigmas raciais, e a população nativa brasileira não precise mais lutar pela sua própria terra.