A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 14/05/2022

“Não se acha nela F, nem L, nem R, coisa digna de espanto, porque assim não tem Fé, nem Lei, nem Rei e desta maneira vivem desordenadamente.” Esse trecho da carta de Pero Magalhães, escrita no século XVI, mostra o descaso português diante da cultura indígena. Nesse viés, tamanho desrepeito, vergonhosamente, continua presente na sociedade brasileira, quase 500 anos depois. Tal panorama deve ser analisado com base em aspectos governamentais e sociais.

É inegável que a inércia estatal apresenta-se como um óbice. Isso ocorre pois, de acordo com o jurista Thomas Marshall, ser cidadão é gozar dos seus direitos -sociais, políticos e civis - e poder exercer seus deveres. Nesse sentido, os índios, desprotegidos socialmente, ainda precisam lutar pelos seus direitos, com as disputas pelas suas terras originárias e integridade física, já que são vítimas de ameaças e agressões. Prova disso são os casos ocorridos em 2022 de abuso sexual de meninas da comunidade Yanomami em troca de alimento. Por conseguinte, essa falha governamental em assegurar os direitos desses grupos acarreta insegurança e perpetua a violência.

Ademais, outro ponto relevante nessa temática é o estigma social que cerca os índios. Segundo a escritora nigeriana Chimamanda Adichie, o perigo de uma história única está na construção de estereótipos. Desse modo, no Brasil, os integrantes das comunidades são vistos como “preguiçosos”, “vagabundos”. Esse preconceito é sustentado por pinturas em livros didáticos, mostradas em escolas por todo o país, desses indivíduos deitados em rede, descansando. Consequentemente, esse ensino inadequado forma uma visão única, pejorativa, que discrimina e desconhece a rica cultura indígena.

Infere-se, portanto, que esse cenário incabível precisa ser resolvido. Logo, o MInistério da Educação deverá inserir o ensino da cultura indígena nas escolas, por meio da inserção desse tema na grande curricular de História. Essa ação deverá envolver palestras com membros das comunidades nas instituições de ensino, afim de construir nos jovens uma nova visão sobre esses povos. Além disso, deverá haver a proteção governamental dos direitos dos índios. Assim, espera-se que o desrespeito iniciado séculos atrás seja finalmente encerrado.