A questão indígena no Brasil contemporâneo
Enviada em 08/09/2022
No ano de 1988, durante o processo de redemocratização, foi criada a sétima constituição brasileira, conhecida como Constituição Cidadã por ouvir as demandas e direitos das minorias. Até hoje, no entanto, a legislação não encontra espaço para a concretização, uma vez que a realidade de grupos, como os indígenas, ainda é marcada pela violência e pelo preconceito. Essa situação de opressão é fruto principalmente da crença de superioridade e da inércia estatal.
Preliminarmente, é preciso compreender que a criação de estereótipos acerca da população indígena é um dos principais obstáculos para a cidadania plena desse grupo. Para a escritora Chimamanda, a história é formada por interesses. Assim, em uma sociedade como a brasileira, em que a maioria no poder são homens brancos, a história é contada a partir de um ponto de vista que os valoriza, silenciado minorias. A falta de um olhar plural é extremamente nocivo pois inibe o contato com a cultura indigena, criando um imaginário coletivo marcado por falsas verdades que fomentam e legitimam casos de violência e desrespeito.
Ademais, a inércia estatal coíbe para a realidade opressiva vivenciada pela população indígena. Nesse sentido, apesar da constituição cidadã de 1988, assegurar o direito indígena às terras que eles tradicionalmente ocupam, ele é constantemente desrespeitado. Isso acontece, pois em um país sustentado pelo agronegócio o governo atende principalmente às necessidades das elites agrárias. Assim, fruto de uma política que tem como princípio a manutenção da economia, no lugar da necessidade da população, grupos indígenas tornam-se invisíveis ao olhar do Estado. Como consequência seus direitos são desrespeitados e suas terras invadidas.
Desse modo, para que os grupos indígenas tenham suas necessidades atendidas é necessária a ação da sociedade civil. Estudantes das áreas de ciências humanas devem ir às escolas organizando atividades que reconstruam a história a partir de uma ótica mais plural. Assim, a partir de indivíduos mais conscientes será possível reivindicar uma postura mais ativa do governo com a criação de postos de vigilância em pontos estratégicos das áreas demarcadas para os indígenas. Só assim, eles terão cidadania plena como previsto na constutuição.