A questão indígena no Brasil contemporâneo

Enviada em 04/11/2022

Desde o período colonial brasileiro, o povo indígena foi duramente alvo do eurocentrismo, uma doutrina que caracterizava os índios como bárbaros, selvagens, incivilizados e preguiçosos. Esse panorama ainda é vigente em nossa contemporaneidade, é atestado não só pelo crescente índice de invasão e domínio de terras indígenas, como também pela constante xenofobia étnica presente na realidade dessa comunidade.

Em primeira análise, constatam-se altos níveis de invasões das terras indígenas nas florestas brasileiras. Atualmente, segundo resultados do último Censo Demográfico realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no país, em 2010, havia cerca de 896.917 indígenas. Sob esse viés, tal cenário é motivado pela exploração ilegal de madeira, o desmatamento, o garimpo, a exploração mineral e também o cultivo agropecuário. Destarte, evidencia-se a violação dos direitos dos índios sobre as terras que tradicionalmente ocupam e que, posteriormente, levam ao seu isolamento.

Vale ressaltar, ainda, que o preconceito sofrido por essa população contribui para a consolidação da problemática abordada. É inegável que a desigualdade étnica acompanhou o processo de colonização e perdura até os dias atuais em forma de violência física e simbólica. De certo modo, esse preconceito é mascarado em forma de frases ou ações ao incitar que pessoas de etnia indígena devem morar nas matas e não possuir nenhum contato com a tecnologia. Por consequência, excluir, suprimir ou negar a existência de preconceito contra indígenas é se calar diante da visão elitista que ainda existe no Brasil.

Nesse âmbito, cabe a Fundação Nacional do índio (FUNAI) promover uma melhora na preservação cultural dessa comunidade, por meio da sancionalização de leis mais rigorosas que deem priori para toda e qualquer violação das áreas indígenas em ameaça e que, além de garantir a preservação dessas terras já por lei, garantam uma maior visibilização dessa comunidade. Somente dessa maneira o Brasil poderá se desprender das amarras da colonização e progredir em direção a um futuro mais humano e justo.